Com Keiko Fujimori na frente, disputa no Peru é para ver quem vai ao 2º turno

Por Mitra Taj

LIMA (Reuters) - Com um sobrenome e uma história que provoca a fúria entre alguns peruanos e a adoração de outros, Keiko Fujimori, candidata a presidente de centro-direita, tem conseguido manter a dianteira num turbulento cenário de candidaturas.

Contudo, enquanto a filha de 40 anos de Alberto Fujimori, ex-presidente preso, tem registrado o apoio constante de cerca de um terço dos peruanos nos últimos dois anos, ela enfrenta uma crescente oposição que provavelmente não a deixará ter a maioria simples necessária para uma vitória final no domingo, quando os peruanos vão às urnas.

A chance de enfrentá-la num segundo turno em junho tem alimentado uma disputa ferrenha pelo segundo lugar, com dois rivais com plataformas radicalmente diferentes brigando pelo apoio de milhões de eleitores indecisos.

"Eu mudo de ideia a cada meia hora”, afirmou Felix Castillo, um guarda de segurança de 39 anos, que integra o que o instituto Ipsos estimou no domingo ser uma elevada fatia de 40 por cento do eleitorado que ainda não se comprometeu com nenhum candidato.

A campanha eleitoral deste ano tem sido abalada pela exclusão sem precedentes de dois candidatos importantes, levando o chefe da Organização dos Estados Americanos a alertar que eleições seriam “semidemocráticas” e criando suspeitas de que a medida de forma injusta favorecera Fujimori.

Outros sete candidatos se retiraram voluntariamente da lista inicial de 19. Os opositores de Keiko Fujimori, sem uma forte candidatura contrária à candidata para apoiar, têm feito protestos.

Num crescimento recente, a parlamentar de esquerda Veronika Mendoza, de 35 anos, tem conquistado o apoio de eleitores indecisos com promessas de “mudança radical” em relação ao modelo econômico de livre mercado dos últimos 25 anos, um desdobramento que tem causado arrepios no mercados de câmbio e de ações locais.

Veronika Mendoza quer aumentar gastos, elevar impostos e fazer com que o Peru, que deve se tornar o segundo maior fornecedor do mundo de cobre neste ano, seja menos dependente das empresas de mineração globais, que, segundo ela, merecem políticas ambientais mais duras. “Nós não achamos que nós devemos continuar a ser um mero depósito de rochas e matéria-prima”, declarou ela.

A candidata subiu levemente numa pesquisa vista por uma fonte nesta quinta-feira, mas permanece estatisticamente empatada com o ex-economista do Banco Mundial Pedro Pablo Kuczynski. O índice de ações do Peru caiu mais de 2 por cento com a notícia.

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