Dólar sobe 1,33% e volta a encostar em R$3,70 por BC, política e exterior

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta e voltou a encostar em 3,70 reais nesta quinta-feira, após o Banco Central voltar a atuar por meio de swap cambial reverso, diante do noticiário político intenso no Brasil e em meio ao cenário externo desfavorável.

O dólar avançou 1,33 por cento, a 3,6937 reais na venda, maior nível de fechamento desde 16 de março (3,7391 reais). A moeda norte-americana atingiu 3,7197 reais na máxima da sessão.

O dólar futuro também avançava cerca de 1,3 por cento.

"O dólar encontrou algum suporte na ação do BC e no cenário externo, mas o ingrediente principal do mercado continua sendo político", disse o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues.

O BC promoveu nesta sessão seu terceiro leilão de swap reverso neste mês, mas vendeu apenas 8,5 mil dos 20 mil contratos ofertados, que equivalem à compra futura de dólares.

A autoridade monetária também deu continuidade à rolagem dos swaps tradicionais do mês que vem, vendendo a oferta de até 5,5 mil contratos, semelhantes à venda futura de dólares. Com isso, repôs ao todo o equivalente a 1,340 bilhão de dólares, ou cerca de 13 por cento do lote total, correspondente a 10,385 bilhões de dólares.

O BC reativou os swaps reversos no fim do mês passado após três anos de desuso, no momento em que apostas de que o impeachment da presidente Dilma Rousseff sairia levaram o dólar às mínimas em sete meses ante o real, na casa de 3,56 reais.

Nos últimos dias, no entanto, cresceu a percepção de que eventual troca no governo está longe de ser uma certeza. Muitos operadores acreditam que a saída de Dilma poderia atrair capitais para o Brasil.

O noticiário político nesta sessão foi descrito como misto por operadores. Continuou elevada a dúvida sobre a possibilidade do impeachment, mas também repercutiu positivamente notícia da Folha de S.Paulo dizendo que a empreiteira Andrade Gutierrez fez doações ilegais às campanhas de Dilma em 2010 e 2014.

"A batalha política continua e as atenções dos agentes estão voltadas para os novos desdobramentos políticos", escreveram analistas da corretora Guide Investimentos em nota a clientes.

Pesquisa da Reuters com 28 estrategistas mostrou que o dólar deve subir a 4,025 reais em 12 meses, bem abaixo dos 4,250 reais projetados no mês.

A moeda norte-americana também foi sustentada pelo mau humor nos mercados externos, onde também subia mais de 1 por cento em relação a moedas como os pesos chileno e mexicano.

Predominou no exterior a aversão a risco diante de preocupações com a fraqueza econômica global e do tombo dos preços do petróleo. Três autoridades do Banco Central Europeu (BCE), incluindo o presidente Mario Draghi, reforçaram a preocupação com o cenário global, dizendo que o banco está disposto a afrouxar mais a política monetária.

As declarações vieram após o Federal Reserve, banco central norte-americano, também reconhecer na ata de sua última reunião os riscos provenientes da fraqueza econômica global.

"Qualquer otimismo sobre a economia mundial evaporou. O mercado está se acostumando com um cenário mais sombrio do que parecia", disse o gerente de câmbio de uma corretora nacional.

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