Ex-presidente argentina Cristina Kirchner acusa novo governo de perseguição política

Sarah Marsh e Nicolás Misculin

Em Buenos Aires

A ex-presidente argentina Cristina Kirchner acusou nesta quarta-feira o novo governo de perseguição política, depois de testemunhar em um tribunal a respeito das supostas irregularidades ocorridas no Banco Central do país durante seu mandato.

Em um discurso desafiador do lado de fora da corte federal de Buenos Aires, Cristina se dirigiu aos milhares de apoiadores que compareceram debaixo de chuva para aplaudi-la, batendo tambores e cantando: "Se tocarem em Cristina, vamos criar o caos".

"Eles podem me chamar para testemunhar mais 20 vezes. Podem me prender. Mas não poderão me silenciar", afirmou.

Cristina, que foi constitucionalmente impedida de concorrer a um terceiro mandato no ano passado, divide opiniões. É reverenciada por muitos por seus programas sociais generosos e repudiada por outros em razão de suas políticas econômicas, como a nacionalização de certos setores e os controles sobre a moeda.

Ela foi convocada a testemunhar nesta quarta-feira a respeito das acusações de que o BC argentino vendeu dólares norte-americanos nos mercados futuros a taxas abaixo do valor de mercado durante sua Presidência, o que custou bilhões de dólares ao governo.

A ex-mandatária de 63 anos disse que as ações do banco foram legítimas e que o caso contra ela é um "abuso de poder do Judiciário".

Cristina atacou o atual presidente argentino, Mauricio Macri, que implementou uma série de políticas de austeridade impopulares desde que assumiu o posto em dezembro, como uma desvalorização aguda da moeda e cortes nos subsídios de gás, energia e transportes.

"Nunca vi tantas calamidades em 120 dias", disse ela em um discurso inflamado transmitido pela televisão argentina.

Macri argumenta que as medidas são necessárias para reduzir o déficit fiscal crescente e atrair os investimentos requeridos para reaquecer a terceira maior economia da América Latina.

Na semana passada, em um caso separado, um promotor acusou Cristina de lavagem de dinheiro. Segundo a lei do país, ainda é preciso que um juiz decida se aceita ou não a acusação e inicie uma investigação.

Políticos da oposição, incluindo Cristina, acusam o governo de fazer acusações contra a ex-presidente para distrair os argentinos da situação econômica difícil e dos laços de Macri com empresas offshore revelados nos vazamentos dos chamados "Panama Papers".

Macri baseou sua campanha em parte na promessa de acabar com a corrupção endêmica na Argentina e prometeu fornecer todas as informações necessárias aos investigadores que analisam suas finanças.

 (Reportagem adicional de Brad Haynes)

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