Ex-'aprendizes' de reality show de Trump se opõem à sua candidatura presidencial

Alana Wise

Em Washington

  • DON EMMERT/AFP

 Um grupo de participantes do ex-reality show "The Apprentice", de Donald Trump, colocou seu antigo chefe em uma saia justa nesta sexta-feira, dizendo que o hoje pré-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos ampliou as divisões raciais do país e que não deveria ocupar a Casa Branca.

Outrora admiradores de Trump e majoritariamente pertencentes a minorias raciais, eles exortaram o milionário de Nova York a conter sua retórica beligerante na campanha para suceder o presidente democrata, Barack Obama, na eleição de 8 de novembro.

"Estamos todos decepcionados, e de certa forma chocados, de ver o que Donald está pondo para fora a respeito de suas opiniões sobre mulheres, imigrantes, a lista continua", disse Randal Pinkett, vencedor da edição de 2005 do programa.

"Rejeitamos com veemência a campanha de sexismo, xenofobia, racismo, violência e ódio de Donald", afirmou ele em uma coletiva de imprensa em Manhattan.

"The Apprentice", que já teve 14 temporadas, deu uma plataforma nacional a Trump, e seu estilo muitas vezes direto e sem pudores ajudou a transformar a atração em um grande sucesso. Nela, grupos de participantes lutam por uma vaga de aprendiz na organização do magnata, e em seu auge foi assistida por 21 milhões de telespectadores.

Pinkett citou conversas particulares, momentos passados longe das câmeras e imagens resultantes da ascensão tempestuosa do empreendedor à liderança da corrida republicana como provas de que Trump "não é digno do cargo mais importante da nação".

Propostas como a de impedir a entrada de muçulmanos nos EUA e a de construir um muro na fronteira com o México atraíram críticas a Trump até dentro do partido. Sua campanha já foi acusada de incentivar tacitamente a violência generalizada, e houve comícios tumultuados nos quais apoiadores do favorito nas pesquisas de opinião entraram em confronto com manifestantes em algumas ocasiões.

Pinkett contou à Reuters que entrou em contato com outros ex-'aprendizes', mas que sua iniciativa é independente e que escolheu este momento porque antecede a primária republicana crucial de Nova York na próxima terça-feira. Na entrevista, Pinkett estava acompanhado dos ex-concorrentes de "The Apprentice" Tara Dowdell e Kwame Jackson; Marshawn Evans Daniels participou por videoconferência.

Não parece provável, porém, que tal esforço irá afetar a confortável vantagem de Trump sobre seus rivais John Kasich, governador de Ohio, e Ted Cruz, senador do Texas.

Em resposta, Trump classificou seus ex-pupilos na sexta-feira como "candidatos que falharam".

"Eles foram esquecidos rapidamente. Ninguém saberia quem eles são, se não fosse por mim", disse ele em um comunicado. "Eles só querem voltar aos holofotes que tinham quando estavam com Trump. Desonestidade total e deslealdade."

 

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