Jucá diz que Senado não queimará etapas em análise de impeachment, mas defende rapidez

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente interino do PMDB, senador Romero Jucá (RR), disse neste domingo que o Senado não irá queimar etapas na tramitação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, mas precisa ter rapidez porque o país tem urgência.

"Claro que, se tudo correr bem, a gente não vai queimar etapas, a gente, com muito cuidado, até para não se judicializar os procedimentos, nós vamos votar no momento adequado, cumprindo o regimento", disse Jucá a jornalistas, depois de a Câmara dos Deputados ter aprovado a autorização para a abertura do processo contra Dilma.

Se a decisão dos deputados for confirmada pelo Senado, Dilma será afastada por até 180 dias e o vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB, assume interinamente a Presidência da República.

Para Jucá, mesmo com o cuidado de não queimar etapas, o Senado precisa de rapidez, porque o país entrou numa "zona cinzenta", já que Dilma está fragilizada após a votação na Câmara, mas como ainda não foi afastada, o vice-presidente Michel Temer ainda não pode assumir o comando do governo.

"Em 15 dias provavelmente, ou até menos, será votada a admissibilidade (do pedido de impeachment), o procedimento que afasta automaticamente a presidente do governo e o vice-presidente Michel Temer assume interinamente", disse Jucá.

Jucá disse que Temer recebeu o resultado da votação na Câmara com "muita tranquilidade, com muita responsabilidade" e que irá se pronunciar no momento apropriado. O vice acompanhou a votação com Jucá, os ex-ministros Henrique Eduardo Alves e Eliseu Padilha, assessores, amigos e familiares.

Temer participou ativamente das negociações com deputados pela aprovação do impeachment na Câmara. O placar final da votação na noite de domingo foi de 367 votos favoráveis ao impeachment, 137 contrários e sete abstenções.[nL2N17K0SO]

Sobre as acusações do PT e de Dilma de que o impeachment seria um golpe, Jucá disse que os petistas têm todo o direito de "resmungar", mas não é com ameaças que vão se resolver os problemas do país.

Para Jucá, golpe seria prosperar a proposta que começa a ser ensaiada por petistas de eleições gerais em outubro, com o encurtamento do mandato de Dilma e Temer.

O senador disse ainda que defende que o relator do pedido de impeachment no Senado não seja do PMDB, já que Temer, beneficiário direto, é presidente licenciado do partido.

"O PMDB vai agora trabalhar com os outros partidos junto ao Senado exatamente para que o processo possa tramitar com tranquilidade e com responsabilidade", disse Jucá.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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