Tribos indígenas mais isoladas do Brasil correm risco de "aniquilação", dizem ativistas

Por Chris Arsenault

RIO DE JANEIRO (Thomson Reuters Foundation) - Tribos indígenas que vivem na Floresta Amazônica brasileira e que têm pouco ou nenhum contato com o mundo exterior estão correndo risco de "aniquilação" nas mãos de lenhadores, rancheiros e mineradores ilegais que querem suas terras, alertou um grupo de ativistas nesta terça-feira.

O Brasil abriga mais de 100 tribos "nunca abordadas", de acordo com estimativas do governo baseadas em imagens de satélite e entrevistas com agrupamentos indígenas vizinhos, e seus direitos constitucionalmente garantidos não estão sendo protegidos por falta de vontade política e de recursos, informou a entidade Survival International.

No momento em que a presidente Dilma Rousseff enfrenta a possibilidade de um impeachment e o país sofre com a recessão, os ativistas temem que interesses empresariais poderosos levem à aceleração do deslocamento de grupos indígenas para se obter acesso a terras que durante séculos eles chamaram de lar.

"Os povos indígenas querem proteger a terra, mas não têm poder de fogo para enfrentar os madeireiros clandestinos ou os matadores contratados pelos fazendeiros", afirmou Fiona Watson, ativista da Survival International, à Thomson Reuters Foundation.

"Para as tribos que nunca foram abordadas, aniquilação significa a destruição de sua terra e de seus meios de subsistência... o genocídio de povos nunca abordados é uma situação que já está ocorrendo", completou ela.

Sua organização está pressionando o governo brasileiro a aplicar as leis de proteção de terras indígenas antes da Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016, que começa em agosto.

A Fundação Nacional do Índio (Funai), encarregada de garantir o respeito aos direitos das tribos, não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

Representando menos de um por cento da população de mais de 200 milhões de habitantes do Brasil, os povos indígenas são afetados de forma desproporcional pela pobreza e pela desnutrição, afirmou uma autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) no mês passado.

Fiona disse que a situação é especialmente angustiante para tribos isoladas como os Kawahiva, cujos números se acredita terem caído para menos de três dezenas de pessoas ao longo dos últimos 30 anos. Sem resistência imunológica contra doenças como a gripe e o sarampo, eles são especialmente vulneráveis a incursões de fora, disse a Survival International.

Comunidades que foram expulsas de seus territórios ancestrais muitas vezes passam a viver em estradas ou em reservas superlotadas, afirmou Fiona. 

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