Eldorado vê recuperação de preços de celulose na China a partir de junho

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A Eldorado Brasil está vendo um segundo trimestre de volumes fortes de celulose, após apresentar melhora no resultado operacional de janeiro a março, e espera que os preços do insumo mostrem tendência de recuperação na China a partir de junho.

A fabricante de celulose do grupo J&F divulgou nesta quarta-feira prejuízo de 180 milhões de reais no primeiro trimestre, devido ao impacto do dólar mais forte no seu resultado financeiro. A empresa, que começou a operar no fim de 2012, tinha registrado prejuízo de 60 milhões de reais em igual etapa de 2015.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de 483 milhões de reais de janeiro a março, avanço de 63 por cento sobre o mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda ficou em 65 por cento.

A evolução da geração de caixa veio com a redução do custo de produção pela menor distância entre florestas e fábrica, inauguração de terminal próprio no Porto de Santos e efeito cambial sobre a receita com exportações. A receita líquida teve alta de 14 por cento, a 741 milhões de reais.

O volume de vendas no primeiro trimestre, porém, teve queda de 3,3 por cento na comparação anual, principalmente por conta do movimento de clientes na China e, em menor medida, no sul da Europa, para reduzir estoques, o que também derrubou os preços da celulose.

"Acreditamos que a partir de junho devemos ter o início de uma curva de recuperação de preços (na China) porque a demanda está forte", disse à Reuters o presidente da Eldorado, José Carlos Grubisich.

Segundo o executivo, em abril ainda deve haver algum ajuste de preços para baixo, seguido de uma estabilização e posterior recuperação a partir de junho.

Segundo os últimos dados da consultoria Foex compilados pelo Credit Suisse, os preços da celulose de fibra curta, produzida a partir do eucalipto, estavam na última semana em 502,08 dólares a tonelada na China, com recuo de 0,7 por cento ante a semana anterior.

"A gente vai ver no segundo trimestre volumes fortes... O jogo entre compradores e vendedores foi jogado no primeiro trimestre. No setor de celulose, já está passando o pior momento", acrescentou Grubisich.

A Eldorado, que não tem ações negociadas na Bovespa, abriu a temporada de divulgação de resultados das maiores produtoras de celulose brasileiras no primeiro trimestre.

As líderes Fibria e Suzano divulgam seus demonstrativos financeiros em 27 de abril. A Klabin publica o balanço no dia seguinte, 28 de abril.

A Eldorado finalizou as obras de terraplanagem para sua nova linha de produção de celulose em Três Lagoas (MS) e disse que obras de infraestrutura da expansão estão em andamento, com conclusão prevista para meados de 2016.

EMISSÃO DE BÔNUS

A Eldorado tinha expectativa de que o mercado pudesse estar mais favorável em abril para a emissão de até 500 milhões de dólares em títulos no exterior, operação aprovada por acionistas em março. Mas o momento para lançar os bônus ainda não chegou, segundo o presidente da companhia.

"As condições ainda não estão oportunas para uma empresa que vai fazer a primeira emissão de sua história. Gostaríamos de ver outros nomes corporativos para que a gente possa avaliar", afirmou Grubisich.

Nenhuma empresa brasileira tem se sentido confortável para captar recursos no mercado internacional desde junho de 2015, quando a Petrobras emitiu 2,5 bilhões de dólares com prazo de 100 anos.

A fabricante de celulose está trabalhando com Credit Suisse, Bank of America, Santander e Banco do Brasil para a operação.

A visão de que a empresa deve, em algum momento, entrar no mercado de ações também está mantida, sendo que o primeiro passo seria a emissão de um bônus. Mas uma emissão de ações não deve ser concretizado no curto prazo, segundo Grubisich.

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