SunEdison mantém aposta em energia solar do Brasil mesmo com recuperação judicial nos EUA

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A norte-americana SunEdison quer manter a aposta no mercado de energia solar do Brasil e de outros países da América Latina, mesmo após a companhia entrar com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, afirmou um executivo da empresa à Reuters nesta sexta-feira.

A companhia possui uma série de usinas fotovoltaicas a serem implementadas no país entre 2017 e 2018, parte delas em uma parceria com a Renova Energia cujo futuro ainda está em discussão entre as empresas.

Os investimentos no mercado brasileiro são vistos como de longo prazo e não deverão ser afetados pela crise na companhia, que inclusive pretende participar de novos leilões de energia, embora não descarte a venda de alguns de seus projetos no país.

Com o pedido de proteção contra falências anunciado na quinta-feira, após uma agressiva estratégia de aquisições que elevou a dívida da companhia a cerca de 12 bilhões de dólares, a SunEdison tornou-se uma das maiores empresas não financeiras dos EUA a tentar a reestruturação judicial nos últimos dez anos.

"Alguns negócios serão reestruturados e outros não... a América Latina é uma das duas ou três unidades de negócios mais importantes para a companhia, e não esperamos nenhum impacto negativo (na região)... temos todo o interesse em continuar as atividades de desenvolvimento no Brasil e outros países da América Latina", disse à Reuters o vice-presidente da SunEdison para a região, Carlos Barrera.

O executivo afirmou em conversa por telefone que a SunEdison pretende levar adiante os projetos que possui no Brasil, após em novembro passado a companhia ter vencido um leilão para instalar cerca de 120 megawatts em usinas fotovoltaicas na Bahia. Esses empreendimentos precisam iniciar operação em 2018.

"Absolutamente, vamos continuar com o desenvolvimento (de projetos em andamento) e o investimento em novos projetos. Nosso objetivo é continuar o trabalho que começamos", disse Barrera.

Ele não descartou, no entanto, a possibilidade de vender projetos no Brasil.

"Se alguém fizer uma proposta, nós estaremos abertos a ouvir... mas não temos nenhuma decisão no momento de vender ativos no país... nosso foco é continuar a desenvolver e investir", disse.

Segundo ele, a SunEdison pretende até mesmo participar do próximo leilão federal para contratações de usinas solares, previsto para outubro.

"Nós pretendemos participar... ainda não tomamos a decisão, mas pretendemos participar com um número significativo de megawatts... o Brasil é um mercado de energia muito atrativo, por causa de seu tamanho e crescimento. Nós temos uma visão muito de longo prazo sobre o país", disse Barrera.

PARCERIA COM RENOVA

Anteriormente, a SunEdison havia viabilizado também cerca de 160 megawatts solares a serem construídos em uma joint venture com a brasileira Renova, controlada pela mineira Cemig. Cada companhia possui 50 por cento no negócio, anunciado em novembro de 2014.

Essas usinas precisariam estar prontas no segundo semestre de 2017, mas a Renova e outras empresas enviaram carta ao órgão regulador pedindo mais tempo para implementar os projetos devido à disparada do câmbio e à falta de equipamentos locais para as usinas.

O futuro dessa parceria entre Renova e SunEdison, inclusive, está sendo discutido entre as companhias, segundo o diretor.

"Nós temos um bom relacionamento com a Renova Energia, e estamos com conversas em andamento com eles para decidir (o futuro da joint venture)", afirmou Barreira.

Após o negócio conjunto em energia solar, a SunEdison havia anunciado a intenção de entrar no capital da Renova, com a compra de uma fatia de 15,8 por cento na empresa.

O acordo incluiria também a compra de ativos da companhia brasileira, como parques eólicos e pequenas hidrelétricas, por uma controlada da SunEdison, a TerraForm Global, criada para operar usinas de energia renovável e distribuir dividendos aos acionistas.

O acordo, anunciado em julho de 2015, foi cancelado em dezembro, com a SunEdison alegando que enfrentava condições de mercado adversas, após seu plano acelerado de aquisições ao redor do mundo gerar preocupações entre investidores quanto à liquidez da companhia.

Com o fim do negócio, a Renova disse no início deste mês que exigirá de SunEdison e TerraForm Global o exercício de uma opção de venda de 7 milhões de ações da TerraForm Global.

A Renova, que recebeu os papéis em pagamento pela venda de um parque eólico à TerraForm Global, quer receber 15 dólares ou 50,48 reais por ação em até 60 dias.

As ações da TerraForm são negociadas atualmente a cerca de 3,13 dólares, com perdas de quase 80 por cento desde os 15 dólares da abertura da capital da empresa, em 2015.

Questionado, Barreras disse que não comentaria o assunto. "Isso ainda está em discussão".

(Por Luciano Costa)

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