Ativista de direitos gays é morto em Bangladesh em suposto ataque islâmico

Por Ruma Paul

DACA (Reuters) - Supostos militantes islâmicos mataram a punhaladas um destacado ativista de direitos gays e um amigo em um apartamento na capital de Bangladesh nesta segunda-feira, informou a polícia.

Os assassinatos aconteceram depois de um professor universitário ser morto de forma semelhante no sábado em um ataque reivindicado pelo Estado Islâmico. 

    Cinco ou seis agressores foram ao apartamento de Xulhaz Mannan, de 35 anos, editor da "Rupban", a primeira revista de Bangladesh dedicada a gays, bissexuais e transgêneros, e atacaram o ativista e um amigo com armas cortantes, disse o porta-voz da polícia de Daca, Maruf Hossain Sordar.

    Eles entraram na residência disfarçados de mensageiros, afirmou, citando testemunhas, e também feriram um segurança. Segundo as testemunhas, os agressores gritaram "Allahu Akbar (Deus é grande)" enquanto fugiam da cena do crime.

    Mannan já havia trabalhado na embaixada dos Estados Unidos em Daca. A embaixadora norte-americana, Marcia Bernicat, repudiou as mortes.

    "Abominamos este gesto de violência sem sentido e exortamos o governo de Bangladesh nos termos mais fortes possíveis a prender os criminosos por trás destes assassinatos", afirmou ela.

    Houve outros atentados no país nesta segunda-feira, mas não ficou claro de imediato se eles foram realizados por militantes islâmicos.

    Dois homens em uma motocicleta mataram a tiros um ex-guarda de prisão diante da cadeia de Kashimpur, nos arredores de Daca, disse Khandakar Rezaul Hasan, chefe da delegacia de polícia local.

    Um professor foi morto a punhaladas em Kustia, bairro do sudoeste da capital, segundo a polícia.

    A nação muçulmana de 160 milhões de pessoas vem testemunhando uma disparada nos ataques violentos nos últimos meses, que têm tido por alvo ativistas liberais, membros de seitas muçulmanas minoritárias e outros grupos religiosos.

    Cinco blogueiros seculares e um editor também foram mortos a punhaladas em Bangladesh desde fevereiro do ano passado.

    Um grupo filiado à Al Qaeda assumiu a autoria do assassinato de um blogueiro liberal de Bangladesh neste mês.

    O Estado Islâmico também assumiu a responsabilidade pelas mortes de dois estrangeiros e de ataques contra mesquitas e padres cristãos no país desde setembro.

    O governo tem negado que o Estado Islâmico ou a Al Qaeda estejam presentes no país e disse que radicais islâmicos nativos estão por trás dos atentados.

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