Chefe da ONU pede que líderes europeus parem de impor restrições a refugiados

VIENA (Reuters) - Restrições ainda maiores a imigrantes e refugiados na Europa estão enviando o sinal errado a respeito das obrigações dos países sobre a lei humanitária internacional, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, nesta quinta-feira.

Ban, o primeiro dignitário estrangeiro a discursar em uma sessão do Parlamento austríaco, expressou a preocupação um dia depois de parlamentares aprovarem algumas das regras de asilo mais duras do continente e da divulgação de planos para a construção de uma cerca na fronteira alpina da Áustria com a Itália.

"Estou alarmado com a xenofobia crescente aqui e além", disse Ban durante a visita à Áustria, onde o candidato de extrema direita e anti-imigrante Norbert Hofer conquistou um terço dos votos no primeiro turno da eleição presidencial e irá disputar a segunda etapa do pleito no próximo mês.

"Agora países europeus estão adotando políticas de imigração e de refugiados cada vez mais restritivas", afirmou. "Tais políticas e medidas enviam uma mensagem muito negativa sobre as obrigações de Estados-membros com a lei humanitária internacional e a lei europeia".

O secretário-geral disse que saudaria discussões francas sobre a integração na Europa e conclamou todos os líderes europeus a se mostrarem à altura dos princípios que os guiaram no passado. Segundo a lei aprovada na quarta-feira, a Áustria poderá rejeitar imigrantes na fronteira dentro de uma hora se os parlamentares decretarem que a ordem pública está sob ameaça.

A Áustria vem servindo sobretudo como rota de passagem para refugiados e imigrantes do Oriente Médio e da África que querem ir à Alemanha, mas também absorveu cerca de 100 mil postulantes a asilo desde o último verão europeu.

Depois de acolher os refugiados em um primeiro momento, o governo limitou a 37.500 o número de pedidos de asilo que aceitará este ano. O país já recebeu mais de 16 mil pedidos desde janeiro. Viena também impôs restrições de movimento, incluindo a coordenação do fechamento das divisas com vizinhos dos Bálcãs, nos últimos meses, e atualmente prepara a implementação de controles fronteiriços mais rígidos na importante passagem alpina de Brenner, na divisa com a Itália.

(Por Kirsti Knolle)

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