Gerdau vê oportunidade para reajuste de preços de aço por conta de alta em commodities

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A Gerdau, maior produtora de aços longos das Américas, avalia que há oportunidade para aumentos de preços de aço no Brasil e em outros países, após a alta acentuada nos preços de commodities neste ano, afirmou o presidente-executivo da companhia, André Gerdau Johannpeter, nesta quarta-feira.

Além de reajustes de preços, Gerdau disse, durante teleconferência com jornalistas, que a recuperação nos preços de commodities também abre maior possibilidade de exportações de aço a partir do Brasil.

A empresa divulgou mais cedo queda de 95 por cento no lucro líquido do primeiro trimestre sobre o mesmo período de 2015, resultado influenciado por queda na demanda no Brasil e aumento da participação das operações norte-americanas nas receitas do grupo.

Apesar do resultado, as ações da companhia tinham alta de cerca de 3,5 por cento, com analistas atribuindo a valorização às expectativas em torno de reajustes dos preços da companhia.

Produtores de aços planos como Usiminas e ArcelorMittal reajustaram preços entre abril e maio, citando a alta nos preços da liga nos mercados internacionais nos últimos meses.

Gerdau evitou dar detalhes sobre nível de reajuste ou prazo para aumento dos preços de seus produtos, mas em relatório no início desta semana, analistas do BTG Pactual citaram como positivo notícias de que os produtores de aços longos estariam avaliando reajustes de até 8 por cento até junho.

"Nos últimos dois meses e meio houve uma recuperação muito forte nos preços de commodities, incluindo aço (...) Quando acontece isso, em todas as nossas operações existe oportunidade de se buscar alguma coisa em preço", disse o presidente da Gerdau em teleconferência com analistas.

O executivo, porém, afirmou que ainda não é possível determinar se a recuperação nos preços é sustentável.

Gerdau também vê oportunidade de ampliar exportações brasileiras e retomar vendas externas de minério de ferro.

A companhia inicia operação de chapas grossas na usina de Ouro Branco, em Minas Gerais, em julho, disse Gerdau, o que a colocará em competição direta com a Usiminas, tradicional produtora do insumo usado em aplicações de setores como petróleo e gás.

Por conta da preparação do laminador de chapas grossas e da construção de aciaria na Argentina, os investimentos do primeiro trimestre ficaram em um ritmo anualizado acima da projeção de dispêndio de 1,5 bilhão de reais para 2016. A Gerdau investiu 485 milhões de reais nos três primeiros meses do ano, mas o executivo comentou que o valor não pode ser tomado como referência para o restante do ano.

Segundo o vice-presidente financeiro da Gerdau, Harley Scardoelli, a siderúrgica tem objetivo de reduzir o nível de endividamento para abaixo da relação de quatro vezes o Ebitda registrada no primeiro trimestre.

A empresa considera nível de alavancagem "ideal" de 2,5 vezes, mas Scardoelli não deu detalhes sobre metas para o fim deste ano. Segundo ele, a redução do nível de endividamento será facilitada pela queda nos investimentos nos próximos trimestres, para dentro da meta de 1,5 bilhão de reais orçada para 2016, além das novas oportunidades de exportação de aço e minério de ferro e de "janelas" para refinanciamentos da dívida.

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