Tractebel vê preço da energia em alta com menos chuvas e eventual mudança no PLD

SÃO PAULO (Reuters) - O cenário de preços baixos no mercado livre de eletricidade no primeiro trimestre deste ano, devido à redução da demanda e às boas chuvas, já começa a se reverter, em uma tendência que pode se consolidar no longo prazo, afirmou nesta sexta-feira o diretor financeiro da geradora Tractebel Energia, Eduardo Sattamini.

O executivo, que participou de teleconferência com investidores, disse que o movimento de alta é puxado por uma hidrologia menos favorável, vista desde abril, e por estudos do governo sobre uma eventual mudança nos parâmetros de cálculo do preço spot da energia, o PLD.

A Reuters antecipou em 12 de abril que uma mudança nos parâmetros deverá elevar os preços.

O PLD, utilizado no mercado de curto prazo, ou à vista, começou o ano na casa dos 35 reais por megawatt-hora no Sudeste, e agora já está em 89 reais por megawatt-hora.

Já os preços para contratos mais longos passaram de cerca de 120 reais, menor nível desde 2012, para entre 130 e 135 reais por megawatt-hora em ofertas para suprimento a partir do próximo ano, disse Sattamini.

"A gente viu um início de ano de preços baixos, que começam agora a melhorar com dois componentes... os rumores de eventual alteração no PLD... e a situação hidrológica um pouco pior... em termos de preço de longo prazo a gente começa a observar que o mercado já pratica preços um pouco maiores que no mês passado", disse.

Ele não quis fazer comentários sobre a visão da Tractebel em relação a uma eventual mudança do PLD, mas ressaltou que o assunto tem mexido com o mercado.

"A gente vem observando que essa (discussão sobre) mudança de metodologia de cálculo de preço vem afetando positivamente os preços de curto e médio prazo... estamos falando em níveis de preço acima de 130, 135 reais (por megawatt-hora) já para o próximo ano, diria que com tendência crescente."

O diretor também disse que os elevados custos para a construção de novas usinas de geração, pressionados pelas altas taxas de juros e pela valorização do dólar, deverão contribuir para manter uma pressão de alta sobre as cotações.

"A partir de 2020, 2021, os preços começam a convergir para o custo marginal de expansão, que não vai ser menor que no passado recente. O custo de construção de usinas segue pressionado... tem muito material em dólar... a gente vê que no longo prazo a tendência de preço é altista".

A geradora Tractebel divulgou na quinta-feira um lucro líquido de 347,1 milhões de reais no primeiro trimestre, com alta de 0,7 por cento ante mesmo período de 2015.

SEM AQUISIÇÕES

O diretor da Tractebel também afirmou, ao ser questionado por um analista, que a companhia não está focada em aquisições neste momento, mesmo com um robusto caixa de 2,26 bilhões de reais.

"Óbvio que a gente olha, tenta capturar, mas diria que a gente não está super animado com as oportunidades que têm aparecido no mercado", disse Sattamini.

Segundo ele, a companhia procurará dar prioridade ao desenvolvimento de novos projetos próprios.

Ele também comentou que a Tractebel se prepara para realizar, no final deste ano ou no início de 2017, a aquisição da fatia majoritária detida por sua controladora Engie na hidrelétrica de Jirau, que está sendo construída em Rondônia e deverá estar concluída no segundo semestre.

"A gente imagina que a operação deve acontecer no final deste ano ou início do ano que vem, e deve agregar algum endividamento à companhia, isso vai fazer com que a gente venha para uma alavancagem um pouco maior", afirmou.

O desenvolvimento de projetos hidrelétricos pela Engie, com posterior aquisição pela Tractebel, é um dos pilares da estratégia das duas companhias para a expansão em geração no país.

O objetivo da manobra é permitir que a Tractebel assuma os ativos apenas quando os maiores riscos, como os de contrução, já são considerados mitigados.

(Por Luciano Costa)

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