Comissão do Senado aprova parecer favorável à cassação de Delcídio; plenário vota na 3ª

BRASÍLIA (Reuters) - A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta segunda-feira parecer a favor da cassação do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), em uma votação simbólica apressada, para não adiar a decisão em plenário do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Inicialmente, a CCJ havia adiado a votação sobre Delcídio, o que poderia resultar no adiamento da decisão sobre o impeachment, segundo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Mas, após discussão entre os senadores e a partir de sugestão do líder do PMDB na Casa, Eunício Oliveira (CE), Renan decidiu que a reunião da CCJ fosse realizada em plenário nesta noite, e, rapidamente, o parecer foi aprovado, o que abre caminho para que o caso seja votado em plenário na terça-feira, e o impeachment, na quarta, como havia sido planejado.

Renan afirmou nesta segunda-feira que teria “dificuldade” de convocar sessão para votação de abertura do processo de impeachment da presidente Dilma antes de o plenário da Casa se pronunciar sobre cassação de Delcídio.

“Apesar de ler (resumo do parecer sobre o impeachment em plenário) eu terei muita dificuldade de convocar a sessão de afastamento da presidente ... antes do julgamento do senador Delcídio do Amaral”, disse Renan a senadores, referindo-se à leitura do parecer da comissão especial do Senado, requisito para que o plenário possa votar a abertura do processo. O resumo do parecer foi lido no início da noite em plenário.

Os membros da CCJ tinham decidido adiar a votação do relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que sugere a cassação do mandato do senador Delcídio por quebra de decoro e abuso das prerrogativas parlamentares, até que recebessem os novos documentos que foram incluídos recentemente na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Entretanto, horas depois, o presidente da CCJ, senador José Maranhão (PMDB-PB), informou que os documentos encontram-se em segredo de Justiça, o que impede o compartilhamento com a CCJ.

Delcídio chegou a ser preso acusado de tentar obstruir as investigações da operação Lava Jato. Ele foi flagrado em um áudio oferecendo dinheiro, influência junto ao Judiciário e até uma rota de fuga para beneficiar um ex-diretor da Petrobras em troca do silêncio dele na operação Lava Jato.

(Reportagem de Leonardo Goy)

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