Estado do Rio diz estar preocupado com efetivo da Força Nacional na Olimpíada

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo do Estado do Rio de Janeiro manifestou preocupação com a segurança dos Jogos Olímpicos, principalmente com a liberação do total efetivo da Força Nacional de Segurança (FNS) previsto para o evento, em meio a problemas regionais, crise financeira e a iminente troca no comando do país.

Segundo o secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, as sinalizações dadas pelo executivo federal sobre a liberação de agentes da Força Nacional têm sido pouco claras e imprecisas.

“Inicialmente estavam ventilando 9 mil homens, um número que eu acho ótimo, mas eu acho que não chega nem perto disso”, disse Beltrame a jornalistas nesta quarta-feira.

O governo federal reconhece a necessidade de um esforço no recrutamento dos homens da Força Nacional, mas garante que será mantido o planejamento original de empregar cerca de 9 mil agentes dessa tropa.

Uma fonte ligada à segurança dos Jogos afirmou que no momento menos da metade do contingente da Força Nacional previsto inicialmente tem presença garantida na Olimpíada. A Força Nacional é composta por policiais civis, militares, bombeiros, peritos e outros que ficam baseados em seus Estados.

“Muitos desses homens estão atuando em Estados do Sul e do Nordeste, que tem problemas regionais a serem resolvidos e que não garantem a liberação desses agentes. Hoje, pelos cálculos, não tem nem metade do efetivo garantido”, declarou a fonte, sob condição de anonimato. Nesse momento, a FNS participa de 40 operações em 15 Estados brasileiros.

O impasse ganhou um ingrediente político, a partir do iminente afastamento da presidente Dilma Rousseff. O vice-presidente Michel Temer deve assumir nesta quinta-feira o governo interinamente.

“Há um temor, porque do jeito que o governo federal está, dificilmente alguém nos dá uma resposta concreta… a gente pergunta: Quando vai vir (a Força Nacional de Segurança)? Quando vai ser? E não tem uma resposta concreta”, disse Beltrame, que defende a permanência da equipe de segurança dos Jogos mesmo com a troca no governo.

Um dos líderes no plano federal do esquema de segurança para os Jogos, o secretário-extraordinário de segurança para grandes eventos do Ministério da Justiça, Andrei Rodrigues, admitiu à Reuters uma certa dificuldade ao afirmar que há um “esforço para recrutamento” dos homens da Força Nacional de Segurança.

“O recrutamento da Força Nacional é sim hoje um grande desafio e há um esforço de todos os Estados colaborarem para que não haja contingência...até o momento não temos nenhum indicativo de necessidade de rever o que foi planejando”, afirmou ele.

"COBERTOR CURTO"

A três meses da Olimpíada, que começa em 5 de agosto, tanto o governo federal quanto o estadual enfrentam uma grave crise financeira, mas o secretário do Ministério da Justiça descartou influência na segurança do evento. “Sabemos das dificuldades que vivem o governo do Estado e federal, mas isso não tem impacto no quantitativo de operação que vamos empregar.”

“Esse é um custeio do Ministério da Justiça e nosso orçamento até o momento não sofreu contingenciamento", acrescentou Andrei Rodrigues.

A Força Nacional de Segurança tem um papel fundamental na segurança dos Jogos e, pelo planejamento, vai atuar no interior de instalações esportivas e outros locais. A previsão do representante do Ministério da Justiça é que o primeiro efetivo da FNS com 600 homens chegue ao Rio nesta semana para o evento-teste de atletismo e ficará em definitivo na cidade até a Olimpíada.

Todo o esquema de segurança, incluindo Forças Armadas, polícia federal e agentes locais de segurança, deve reunir aproximadamente 85 mil homens -- 47 mil profissionais de segurança pública e 38 mil da Defesa.

O planejamento inicial previa o emprego de agentes privados de segurança nas instalações esportivas, mas a ideia foi abortada ao longo da preparação do esquema de segurança.

Nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, a empresa particular contratada para fazer a segurança do evento sofreu problemas financeiros às vésperas da Olimpíada, o que forçou o governo a convocar militares de última hora para realizarem o serviço.

“O cobertor do Rio de Janeiro para a segurança já é curto, e, se tiver que complementar o contingente da FNS, caso não venham todos, vai ter que tirar da rotina da cidade e do Estado. Aí complica. E se chamar a força de contingência, as Forças Armadas, tomo mundo sabe, quando eles entram, é para mandar e comandar e, não para se subordinar”, disse a fonte.

O comitê organizador dos Jogos descartou qualquer problema com segurança. "Preocupação e inquietude zero. Temos total confiança”, destacou o diretor de comunicação da Rio 2016, Mario Andrada.

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