"Tchau, querida!": Feministas temem revés após impeachment da primeira mulher presidente

Por Caroline Stauffer

SÃO PAULO (Reuters) - Horas após Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente do Brasil, ter sido afastada do cargo pelo Senado com a abertura do processo de impeachment, o seu substituto Michel Temer anunciou a composição de seu ministério formado exclusivamente por homens.

O significado não passou despercebido para as feministas do país, especialmente após um Congresso dominado por homens votar para remover Dilma em meio a gritos de "Tchau, querida!".

"Cinquenta e dois por cento da população do Brasil foi ignorada", disse Rachel Moreno, coordenadora do Observatório da Mulher, grupo que visa combater a violência contra as mulheres.

"A gente tem sofrido um ataque da bancada conservadora contra as conquistas que o movimento feminista teve", disse em uma entrevista telefônica direto de uma conferência sobre os direitos das mulheres em Brasília, da qual Dilma participou esta semana.

Temer assume em um momento em que a bancada "BBB" (boi, bíblia e bala) está ganhando força no Congresso. Alguns se preocupam que o avanço da participação política das mulheres nos últimos anos, assim como os programas sociais que beneficiam os pobres, possam ser perdidos com a queda do governo Dilma e uma guinada política à direita.

"RECATADA"

Durante grande parte do período em que esteve no comando da nação, Dilma evitou falar sobre como era governar o país sendo uma mulher.

Mas no ano passado ela disse ao jornal "The Washington Post" que algumas das mais críticas mais comuns a ela, sobre ser uma administradora detalhista, que interfere demais nos assuntos cotidianos, eram principalmente relacionadas ao seu gênero.

"Você já ouviu alguém dizer que um presidente homem coloca o dedo em tudo? Eu nunca ouvi isso", ela disse.

Nesta quinta-feira, Dilma disse que foi uma honra ter sido a primeira mulher presidente do Brasil.

Para alguns brasileiros, o recente perfil publicado pela Revista Veja sobre a esposa de Temer, Marcela, uma ex-modelo que é 43 anos mais jovem que o marido, intitulado "Bela, recatada e do lar" confirmou seus piores temores em relação ao sexismo assustador.

O título levou a semanas de zombarias nas redes sociais, com mulheres postando suas fotos menos recatas e criticando a Veja. As paródias continuaram nesta quinta-feira, mas poucos estavam rindo.

(Reportagem adicional de Brad Haynes)

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