CPFL vê mais privatizações em novo governo; espera revisão do preço da Celg-D

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Jr, fez elogios nesta sexta-feira aos primeiros acenos do presidente interino da República, Michel Temer, e disse que há perspectiva de melhora no ambiente de negócios do país, uma vez que o novo governo deverá focar na atração de investimentos para superar a atual crise.

Para o executivo, isso passará por uma postura voltada à viabilização das privatizações, o que poderia inclusive passar por uma revisão do preço de venda da distribuidora de energia Celg-D, de Goiás, que é controlada pela Eletrobras e cuja venda já havia sido definida pelo governo Dilma Rousseff.

Ferreira disse que o valor mínimo de cerca de 2,8 bilhões de reais estabelecido para a venda da elétrica está muito elevado, o que refletiria um "equívoco" de precificação.

"Ainda não fomos informados oficialmente de qualquer mudança no processo da Celg-D, embora eu não tenha dúvida de que à luz do novo governo essa é uma alternativa importante (de levantar caixa)... dado que todos analistas já colocaram isso, os manifestados já se interessaram, imagino que nos próximos dias ou meses a gente terá essa revisão do valor", disse Ferreira, em teleconferência com investidores.

Para ele, a venda do controle de estatais é uma forma de capitalizar tanto as empresas quanto os governos, e por isso deverá estar presente na agenda da nova administração.

"O tema da privatização, que pode trazer muitos benefícios para os detentores das concessões e os consumidores, deve ser, na minha visão pessoal, muito intensificado nos próximos meses", afirmou.

Segundo Ferreira, a busca por alavancar investimentos privados será importante na reversão das expectativas do mercado em relação ao país e deverá vir junto com um aperfeiçoamento da regulação do setor elétrico e das regras dos leilões de energia nova, por exemplo.

Ele disse que já houve avanços na área de energia desde o ano passado, mas mostrou-se otimista quanto à continuidade das melhorias de regras e da segurança jurídica.

"Tenho certeza que com uma melhora no ambiente econômico, regulatório e jurídico, no ambiente de negócios do Brasil, essa nova perspectiva que o governo dá, seremos capazes de atrair investimentos", afirmou.

Segundo ele, a própria CPFL estará atenta às novas oportunidades, seja de investimentos em novos projetos, seja de aquisições, no caso de privatizações ou venda do controle de empresas privadas.

A companhia tem espaço para crescer principalmente no segmento de distribuição, uma vez que esse setor traz ganhos de escala que tornariam mais atrativa uma expansão, com a compra de novas concessões.

"Não estamos atrás de market share, estamos atrás de perspectiva de criação de valor...a empresa está muito atenta a isso, ao conjunto de oportunidades que está colocado, alguma públicas, outras não públicas...estamos avaliando", disse Ferreira.

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