Programas sociais serão mantidos, mas terão "forte avaliação", diz Meirelles

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta sexta-feira que é preciso haver "avaliação bastante forte e bastante cuidadosa" dos programas sociais, após ter indicado que aumentos de impostos poderão vir para melhorar o panorama fiscal do país.

"O fato de se manter um programa social não quer dizer que se possa manter o mau uso", afirmou Meirelles na sua primeira coletiva de imprensa no cargo, durante a qual reiterou que o governo tomará medidas duras mirando o reequilíbrio das contas públicas.

Ele, no entanto, não anunciou nenhuma medida concreta, argumentando que elas virão "no momento certo", para que sejam "maturadas".

Neste cenário, Meirelles não descartou aumento de impostos ou a retomada da CPMF, afirmando que caso seja necessário, um tributo será aplicado de forma temporária.

O ministro assumiu o posto na véspera, mas seu nome já havia sido sinalizado há semanas pelo presidente interino Michel Temer como o homem forte da economia caso o Senado aprovasse o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff, o que acabou se confirmando na quinta-feira.

Segundo o ministro, os membros de sua equipe serão anunciados na segunda-feira, incluindo quem presidirá o Banco Central. Meirelles adiantou que Tarcisio Godoy será seu secretário-executivo, segundo cargo mais importante na hierarquia da Fazenda e que já havia sido ocupado por Godoy no ano passado, na gestão do então ministro Joaquim Levy.

Quando questionado sobre a permanência de Alexandre Tombini à frente do BC, Meirelles disse que o anúncio não significava necessariamente que o presidente não seria o mesmo.

As apostas para o comando do BC se voltam majoritariamente para o economista-chefe do Itaú e ex-diretor do BC, Ilan Goldfajn, embora os nomes do ex-diretor do BC Mario Mesquita e do ex-secretário do Tesouro Carlos Kawall também estejam sendo considerados, conforme afirmou o novo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Ainda sobre equipe, Meirelles afirmou que as nomeações para os bancos públicos serão feitas com base em critérios técnicos e que ele irá avaliar os nomes, independentemente de filiações partidárias ou indicações que poderão ocorrer.

Sem apresentar medidas concretas, Meirelles afirmou que a inflação vai voltar para a meta e que a política fiscal vai ajudar no processo de convergência para o alvo fiscal. Este ano, a meta é de 4,5 por cento pelo IPCA com margem de tolerância de dois pontos.

Durante a coletiva, ele reforçou que o governo irá se debruçar cuidadosamente sobre a real situação das contas públicas antes de apresentar novas iniciativas.

Meirelles considerou que a sociedade brasileira está amadurecida para medidas de ajuste. Ele destacou que há um "vasto" trabalho a ser feito, incluindo mudanças trabalhistas, em termos de simplificação tributária e através de concessões e investimentos em infraestrutura.

Sobre a dívida dos Estados com a União, Meirelles afirmou que sua análise sobre o tema foi preliminar, mas que buscará "resolver de uma vez por todas" a questão sem comprometer o programa de estabilização fiscal da União.

Mais cedo, o ministro havia chamado a importância para reforma previdenciária, com estabelecimento de idade mínima para aposentadoria e regras de transição.

Ele também afirmou que o déficit primário de pouco mais de 96 bilhões de reais previsto para este ano na nova meta fiscal enviada ao Legislativo é substancial, mas "tudo indica" que número é ainda maior, sendo necessário que o governo trabalhe com números realistas para o resgate da confiança do mercado.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos