Dólar amplia alta e testa R$3,55 após ata do Fed e com atuação do BC

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar ampliou a alta e voltou às máximas da sessão nesta quarta-feira, flertando com o patamar de 3,55 reais, após o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, sinalizar a possibilidade de aumento de juros em junho.

A moeda norte-americana já vinha subindo com força desde cedo, depois de o Banco Central vender a oferta total de até 20 mil swaps reversos em leilão depois de três dias ausente do mercado.

Às 15:26, o dólar avançava 1,75 por cento, a 3,5527 reais na venda, após recuar a 3,4915 reais na sessão passada. O dólar futuro caía cerca de 1,5 por cento.

A moeda norte-americana atingiu 3,5565 reais na máxima desta sessão após o leilão do BC e voltou a se aproximar desses patamares com a ata do Fed.

"O Fed parece ter feito um esforço ativo para corrigir o pessimismo do mercado, que esperava uma trajetória muito suave (de altas de juros)", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta.

Segundo a ata, o Fed deve elevar os juros em junho se os dados econômicos indicarem crescimento econômico mais forte no segundo trimestre, bem como alta da inflação e melhora no emprego.

Até então, os preços para os contratos futuros da taxa básica de juros do Fed indicavam nesta quarta-feira que investidores viam chance de apenas 19 por cento de elevação no mês que vem.

Altas de juros nos EUA podem atrair para a maior economia do mundo capitais atualmente aplicados no mercado local.

Também contribuía para a alta da moeda norte-americana a intervenção do BC. Todos os 20 mil swaps cambiais vendidos em leilão nesta sessão vencem em 1º de setembro de 2016.

O BC não fazia leilão de swaps reversos, que equivalem a compra futura de dólares, desde 12 de maio, quando o dólar fechou a 3,4727 reais. A divisa fechou acima de 3,50 reais nas duas sessões seguintes, mas voltou abaixo desse patamar na véspera.

"O BC está aproveitando para reduzir o passivo quando o câmbio vai abaixo de 3,50 reais", disse mais cedo o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado, que espera que a moeda norte-americana gire entre 3,45 e 3,55 reais no curto prazo.

Cotações mais fracas tendem a prejudicar a atividade de exportadores ao encarecer produtos brasileiros, atrapalhando a performance da balança comercial neste momento de crise econômica. Por outro lado, o dólar forte pode pesar sobre a inflação local.

No cenário local, operadores também adotavam cautela enquanto aguardavam anúncio de medidas econômicas concretas pelo governo do presidente interino Michel Temer. O mercado reagiu bem à indicação da equipe econômica, incluindo o novo presidente do BC, Ilan Goldfajn.

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