ONU promete ajuda humanitária à Síria pelo ar "como último recurso"

Por Tom Miles e Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) - A Organização das Nações Unidas (ONU) irá adotar, "como último recurso", a opção de remessas aéreas de ajuda humanitária à Síria se o acesso a áreas sitiadas do país não melhorar até 1o de junho, disse o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura.

Sem a facilitação da entrega de auxílio e uma retomada ao menos parcial do combalido acordo de cessação de hostilidades, a credibilidade da próxima rodada de conversas de paz se tornaria duvidosa, afirmou.

O prejuízo causado às negociações de paz levou Estados Unidos e Rússia a convocar na terça-feira o Grupo Internacional de Apoio à Síria e grandes potências e participantes regionais, que endureceram os termos da trégua e apoiaram uma pressão maior para a entrega de assistência humanitária.

"Queremos levar ajuda a todos. Se a comida não puder ser levada em comboios, a alternativa são remessas aéreas", disse De Mistura aos repórteres.

A entrega por avião é "a opção mais cara, a mais complicada e mais perigosa", acrescentou. "Por isso, as remessas aéreas são um último recurso, mas estamos chegando perto disso."

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) fez 35 entregas aéreas de alimentos e outros suprimentos a cerca de 100 mil pessoas em Deir al-Zor, cidade do leste sírio sitiada pelo Estado Islâmico, devido à falta total de acesso, mas essa foi a única localidade contemplada até agora.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC, na sigla em inglês), em um documento opinativo entregue a seus doadores na quarta-feira e obtido pela Reuters, expressou profunda preocupação com as entregas por avião e exortou os Estados a avaliar os riscos e consequências.

"As remessas aéreas, em certos contextos, especialmente em ambientes povoados e urbanos, como muitas destas áreas sob cerco na Síria, podem representar um perigo real e físico para as pessoas às quais pretendem proporcionar alívio", disse o ICRC.

"Para evitar causar ferimentos desnecessários, e para garantir a distribuição ordeira e pacífica da assistência, a zona de entrega precisa ser controlada adequadamente", acrescentou.

As remessas por ar não deveriam substituir a necessidade de se providenciar ajuda por terra, segundo a Cruz Vermelha.

De Mistura disse que não irá abandonar as conversas de paz, mas que está esperando a data certa.

"Obviamente estamos com uma pressa evidente para começar a retomar a próxima rodada de conversas", afirmou.

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