Premiê francês pede a sindicatos que cancelem protestos devido à violência

Por Brian Love

PARIS (Reuters) - O primeiro-ministro da França exortou líderes sindicais nesta quinta-feira a cancelar as manifestações anti-reforma trabalhista, dizendo que o comparecimento está caindo, mas que a violência de grupos que se aproveitam da situação está aumentando.

Enquanto multidões se reuniam para passeatas nacionais em oposição a alterações nas leis trabalhistas, Manuel Valls disse que as gangues ultra-violentas de "pessoas que querem matar policiais" estão usando protestos em si legítimos para agredir a polícia.

"Os líderes de sindicatos precisam arcar com suas responsabilidades", afirmou. "Se arruaceiros aparecem em todo e qualquer protesto, está na hora de perguntar se alguns destes protestos valem a pena", disse ele em entrevista a uma rádio em mais um dia de greves e manifestações.

Em muitos locais do país, os serviços de trens foram reduzidos em mais de 50 por cento no segundo dia consecutivo de greves, e caminhoneiros mantiveram bloqueios em partes estratégicas da malha rodoviária francesa, principalmente perto de refinarias de petróleo.

Valls direcionou seu apelo sobretudo aos manifestantes de rua e aos líderes sindicais como os do sindicato trabalhista linha-dura CGT, dizendo que o número de protestos legítimos está encolhendo depois de mais de dois meses de manifestações eclipsadas pela violência.

Antes da onda de protestos desta semana, o líder da CGT, Philippe Martinez, disse ser hora de "mudar de marcha" com greves em sistema de rodízio e passeatas para forçar o governo a voltar atrás.

Estimativas da polícia falam em um comparecimento de 68 mil pessoas na primeira manifestação desta semana, ocorrida na terça-feira, uma cifra que, embora um pouco mais alta do que a de uma semana atrás, foi significativamente menor do que o recorde de 300 mil manifestantes do final de março.

O batalhão de choque da polícia, que vem tendo atritos frequentes com jovens mascarados que usam coqueteis molotov e pedras, fez seu próprio protesto na quarta-feira para enfatizar o que descreveu como um "ódio anti-polícia" crescente.

Defendendo a corporação, já sobrecarregada pelas tarefas de segurança adicionais do estado de emergência decretado após os ataques mortais de islâmicos extremistas em Paris em novembro, Valls destacou um incidente na quarta-feira no qual dois policiais foram obrigados a fugir de sua viatura quando foram cercados por uma multidão furiosa que incendiou o veículo no centro da capital.

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