Entidades pedem cirurgia gástrica como tratamento padrão para diabetes

Por Kate Kelland

LONDRES (Reuters) - Diabéticos deveriam ter acesso à cirurgia gástrica como uma opção de tratamento padrão, já que ela pode ajudá-los a controlar a doença durante anos sem medicamentos, disseram os principais grupos de diabetes do mundo.

Um comunicado conjunto de 45 grupos afirmou nesta terça-feira que a cirurgia bariátrica, ou metabólica, poderia resultar em benefícios significativos para centenas de milhares de pacientes de todo o planeta e representar uma das maiores mudanças nas diretrizes de tratamento de diabetes desde o advento da insulina.

Segundo as novas diretrizes, a cirurgia, que reduz o estômago e induz a perda de peso, deveria ser recomendada para tratar todos os pacientes de diabetes com índice de massa corporal (IMC) de 40 ou mais, independentemente de seu controle de glicose no sangue, assim como aqueles com IMC de 30 ou mais cujos níveis de açúcar no sangue não são controlados por mudanças de estilo de vida ou remédios.

Francesco Rubin, professor e chefe de cirurgia bariátrica e metabólica do King's College de Londres e um dos autores das novas diretrizes, afirmou que muitos países de todo o mundo estão passando por uma "epidemia de diabetes".

Rubino disse que os pacientes deveriam ter direito a uma gama de opções, incluindo mudanças no estilo de vida, remédios e cirurgia.

"Para alguns, a cirurgia pode ser a melhor escolha", disse ele durante entrevista à imprensa na capital inglesa.

A diabetes tipo 2 é caracterizada pela resistência à insulina, o que muitos podem contornar com medicação e dieta, mas a doença muitas vezes dura a vida toda e é uma grande causadora de cegueira, falência renal, ataque cardíaco, derrame e amputação dos membros inferiores.

Um estudo recente da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou que o número de adultos com diabetes quadruplicou nas últimas quatro décadas, chegando a 422 milhões. A Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês) estima que até 2040 essa cifra subirá para 642 milhões pessoas.

As diretrizes, publicadas no periódico científico Diabetes Care, foram endossadas por 45 organizações internacionais, especialistas e pesquisadores de diabetes, inclusive a Associação Americana de Diabetes1.

(Reportagem adicional de Andrew Seaman em Nova York) 

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