Confronto entre governo e sindicato se agrava na França; público teme impacto na Euro 2016

Por Ingrid Melander e Michel Rose

PARIS (Reuters) - O impasse entre o governo francês e um sindicato linha-dura a respeito das reformas trabalhistas se agravou nesta quarta-feira, levando o país a mobilizar os estoques estratégicos de petróleo pela primeira vez em seis anos e empregadores a alertar que os protestos começam a prejudicar a economia.

A polícia usou canhão de água para romper um bloqueio a um depósito de combustível, enquanto funcionários de 19 usinas nucleares francesas votaram por paralisação na quinta-feira, numa intensificação da crise que a maioria dos franceses teme que pode atrapalhar a Euro 2016, torneio de futebol continental.

Ministros insistiram que o governo do presidente socialista, François Hollande, se manterá firme e assegurará a oferta de combustível com as reservas estratégicas, que são grandes o suficiente para durar mais de três meses.

Especialistas do setor energético afirmaram que a greve em usinas nucleares, convocadas pelo sindicato CGT, dificilmente provocaria blecautes devido aos limites legais para greve no setor nuclear e às importações de energia.

"A CGT não governa este país”, afirmou o primeiro-ministro Manuel Valls a parlamentares. “Nós não vamos retirar (as reformas).”

O líder do CGT, Philippe Martinez, afirmou que o sindicato, um dos maiores da França, seguirá adiante com as greves. “Vamos continuar”, disse a uma rádio.

O motivo da disputa é uma reforma do mercado de trabalho que facilitaria a contratação e a demissão de trabalhadores. O governo disse que as medidas são cruciais para combater o desemprego de mais de 10 por cento da força de trabalho. O sindicato afirma que a reforma vai desmantelar as leis de proteção trabalhista.

Outros sindicatos apoiaram a última versão das reformas, que foi diluída pelo governo. Sete entre dez franceses são a favor da retirada da reforma para evitar impasses entre o governo e os sindicatos, mostrou uma pesquisa Elabe.

Tanto a CGT quanto o governo se mantêm firmes e atentos à Euro 2016, torneio de futebol com um mês de duração que começa no dia 10 de junho.

A maioria dos franceses teme que o torneio, que contará com forte esquema de segurança depois dos ataques de militantes islâmicos em Paris no ano passado, seja prejudicado pelos protestos e se preocupam com o impacto na imagem externa da França, mostrou uma pesquisa.

Quase dois terços culpariam o governo por isso, indicou a pesquisa Odoxa.

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