Dólar passa a subir 1% e supera R$3,60 com fluxo e cautela política

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar anulou a queda e avançava acima dos 3,60 reais nesta quarta-feira, sucumbindo às preocupações com o cenário político brasileiro e à cautela pré-feriado, com operadores citando fluxo de saída de divisas no mercado à vista relacionado à formação da Ptax no fim do mês.

A moeda norte-americana chegou a recuar a 3,55 reais pela manhã, após o presidente interino Michel Temer passar por seu primeiro teste no Congresso Nacional com a aprovação da nova meta fiscal para este ano. Mesmo assim, operadores continuavam preocupados com a possibilidade de o Legislativo dificultar a aprovação de medidas de austeridade fiscal.

Às 12:39, o dólar avançava 1,00 por cento, a 3,6113 reais na venda, após chegar a 3,5520 reais na mínima e 3,6225 reais na máxima da sessão, maior cotação intradia desde 8 de abril (3,6694 reais). O dólar futuro avançava cerca de 1 por cento.

"O mercado está sem direção, um pouco perdido. As cotações ficam muito ariscas porque o (cenário) político está muito nebuloso", disse o operador da gestora de recursos de um banco internacional.

Na véspera, o governo também anunciou algumas medidas econômicas para tentar acertar as contas públicas do país, como limite de gastos, mas que dependem da aprovação do Legislativo.

O operador citou ainda fluxo de saída de divisas no fim da manhã relacionado à Ptax, taxa calculada diariamente pelo Banco Central brasileiro que serve de referência para diversos contratos cambiais. Conforme se aproxima o fim do mês, muitos operadores costumam disputar para deslocar a taxa a patamares favoráveis a suas posições.

Operadores também desmontavam apostas antes do feriado de Corpus Christi, que manterá os mercados financeiros fechados na quinta-feira e deve limitar a liquidez na sexta-feira. O volume de negócios estava baixo neste pregão, mantendo a tendência vista nas últimas semanas.

O dólar operou em queda durante boa parte da manhã, após o Congresso dar o aval nesta madrugada para que o governo registre déficit primário de 170,5 bilhões de reais neste ano, alterando a meta original de superávit primário de 24 bilhões de reais.

Mas investidores continuavam cautelosos em relação às perspectivas políticas brasileiras e ressaltaram que os esforços para reequilibrar as contas públicas ainda podem enfrentar muitas dificuldades no Congresso.

"Agora passou a lua-de-mel e o governo Temer está dando os primeiros passos no Congresso, começando a tomar as medidas concretas", disse o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

O Banco Central não anunciou qualquer intervenção cambial para esta sessão, mantendo-se ausente do mercado pela quinta sessão consecutiva.

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