OMS rejeita que Jogos Olímpicos sejam alterados por conta do Zika vírus

Por Kate Kelland

LONDRES (Reuters) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) rejeitou, neste sábado, um pedido para que os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro sejam levados para outro lugar ou adiados devido à ameaça de um grande surto do Zika vírus a partir do Brasil. 

Respondendo a um pedido de mais 100 cientistas, os quais disseram que seria antiético que os Jogos prosseguissem conforme o programado, a agência das Nações Unidas disse que realizar o evento esportivo no Rio no prazo previsto "não alteraria significativamente" a difusão do Zika - vírus relacionado a graves defeitos de nascimento.  

"Baseado na atual avaliação do Zika vírus que circula em quase 60 países globalmente e 39 nas Américas, não há justificativa de saúde pública para adiar ou cancelar os Jogos", disse a OMS em comunicado. 

Em uma carta publicada na internet na sexta-feira, cerca de 150 especialistas renomados de saúde pública disseram que o risco de infecção do Zika é muito alto para que os Jogos prossigam com segurança.

A carta foi enviada a Margaret Chan, diretora-geral da OMS, e disse que os Jogos, que começarão em agosto no Rio de Janeiro, devem ou ser movidos para outro lugar ou adiados.

"Um risco desnecessário existe quando 500 mil turistas estrangeiros de todos os países forem aos Jogos, potencialmente adquirindo o vírus, e retornarem para casa, para lugares onde isso pode se tornar endêmico", disse a carta dos cientistas. 

Mas a OMS rejeitou essa afirmação, dizendo que o Brasil "é um dos quase 60 países e territórios" onde o Zika tem sido detectado e no qual pessoas continuaram a viajar por uma série de razões.

"A melhor maneira de reduzir o risco de doença é seguir os conselhos de saúde pública para viagens", disse a organização.

Um dos signatários da carta, o especialista em lesão cerebral Ford Vox, chamou a resposta da OMS de "derrotista, deprimente e um pouco rápida demais para alguém acreditar que a organização deu à carta a devida consideração."

A comunidade científica está dividida sobre a ameaça de Zika devido às Olimpíadas do Rio, com muitos especialistas dizendo que o pedido de adiamento ou de mudança de local é injustificada.

"Vivemos em um mundo incrivelmente interligado, o comércio e as viagens globais são as atividades diárias que oferecem ao Zika vírus uma oportunidade para se espalhar", disse Jonathan Ball, professor de virologia molecular na Universidade de Nottingham no Reino Unido.

"Em comparação com estas atividades de rotina, o aumento do risco que os Jogos Olímpicos coloca é uma gota no oceano."

A OMS recomenda que mulheres grávidas não viagem para áreas onde há risco de transmissão do Zika vírus, incluindo o Rio de Janeiro. Também aconselha todo mundo a fazer esforços para se proteger contra picadas de mosquito e praticarem sexo seguro. 

A infecção do Zika em mulheres grávidas tem sido associada à microcefalia e outras graves anormalidades cerebrais em bebês.

A conexão entre Zika e microcefalia veio à tona no ano passado no Brasil, que confirmou mais de 1.400 casos de microcefalia.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) também entrou no debate dizendo que a resposta da OMS não foi feita em consulta com o corpo Olímpico. Ele também negou que houvesse um memorando "secreto" de entendimento entre a OMS e COI.

"O COI não tem atualmente um Memorando de Entendimento com a Organização Mundial da Saúde", disse um porta-voz.

O COI disse que está monitorando o desenvolvimento de Zika por meio da OMS para atualizar informações e orientações, mas tem dito repetidamente que o vírus não seria uma ameaça aos Jogos.

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