PF indicia presidente do Bradesco em inquérito da Zelotes

Por Eduardo Simões e Tatiana Bautzer

SÃO PAULO (Reuters) - A Polícia Federal indiciou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, em relatório de inquérito ligado à operação Zelotes, informou nesta terça-feira o Ministério Público Federal do Distrito Federal.

A Zelotes investiga suspeitas de manipulação de julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e o suposto pagamento de propina para a edição de medidas provisórias.

A notícia do indiciamento de Trabuco motivava forte queda das ações do segundo maior banco privado do Brasil na bolsa paulista.

Às 16:09, os papéis preferenciais do Bradesco recuavam quase 5 por cento, enquanto os ordinários perdiam mais de 3 por cento. No mesmo horário, o Ibovespa cedia 0,9 por cento.

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público, outras nove pessoas foram indiciadas no mesmo inquérito de Trabuco pelos crimes de corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O MPF não soube informar quais desses crimes foram imputados ao presidente do Bradesco.

Uma fonte a par do assunto disse à Reuters, sob condição de anonimato, que o vice-presidente do Bradesco Domingos Figueiredo Abreu e o diretor financeiro do banco, Luiz Carlos Angelotti, também teriam sido indiciados pela PF.

Em comunicado, o Bradesco informou que o banco não contratou os serviços oferecido por um grupo investigado na operação Zelotes e que Trabuco não participou de qualquer reunião com o grupo citado pelos investigadores.

O banco disse também que foi derrotado em julgamento no Carf por seis votos a zero e que apresentará seus argumentos juridicamente por meio de seus advogados.

Caberá agora aos procuradores do Ministério Público Federal do DF analisarem o relatório da PF para decidir se oferecem a denúncia contra Trabuco e os demais indiciados à Justiça.

Trabuco é o segundo presidente de uma importante instituição financeira do país a ter o nome citado em um escândalo de corrupção no último ano.

Em novembro do ano passado, André Esteves, fundador e então presidente do BTG Pactual, maior banco de investimento independente da América Latina, foi preso no âmbito da operação Lava Jato, mas foi posteriormente solto.

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