Venezuela diz que ameaça de suspensão na OEA é esquema "imperialista"

Por Daniel Kai

CARACAS (Reuters) - O governo socialista do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta quarta-feira que uma iniciativa do chefe da Organização dos Estados Americanos (OEA) de repreender o país por violação das normas democráticas é um esquema “imperialista” para tomar o petróleo do membro da Opep.

Sob crescente pressão internacional e enfrentando o esforço da oposição para convocar um referendo revogatório para Maduro, o governo reagiu com fúria ao pedido do chefe da OEA, Luis Almagro, para uma reunião de emergência sobre a Venezuela.

"O império decidiu que é hora de pegar os nossos recursos”, afirmou o ministro do Exterior venezuelano, Delcy Rodríguez, a jornalistas, chamando Almagro de uma ferramenta da política norte-americana.

"Nós sabemos que o que está vindo é uma intervenção. É por isso que estamos alertando a comunidade internacional.”

Almagro, ex-ministro do Exterior do Uruguai, acusa Maduro de ser um “pequeno ditador” que tem ido de encontro à democracia na Venezuela ao deixar de lado o Congresso liderado pela oposição e encher a Corte Suprema com os seus aliados.

Nesta semana, Almagro requisitou uma reunião do conselho permanente da OEA para iniciar procedimentos no organismo que reúne 35 integrantes que poderiam levar a uma votação sobre a suspensão da Venezuela.

Embora a Venezuela tenha perdido importante apoio diplomático com as recentes guinadas da Argentina e do Brasil para a direita, o país pode ainda contar com a lealdade de governos de esquerda na Bolívia, Equador e Nicarágua.

O país também tem contado com o apoio de pequenos países do Caribe e da América Central, que têm se beneficiado do acordo Petrocaribe sobre fornecimento de petróleo e combustível.

O ministro Rodríguez declarou que Almagro, um advogado de 53 anos, é obcecado com a Venezuela.

Os líderes da oposição da Venezuela celebraram as críticas internacionais a Maduro, mas estão tentando manter o foco no esforço por um referendo revogatório neste ano, dizendo que a saída do presidente é a única maneira de resolver os problemas do país.

(Reportagem adicional de Diego Ore)

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