Maduro apresenta queixa contra opositores da Assembleia à Suprema Corte

CARACAS (Reuters) - A assessoria legal do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apresentou uma queixa formal à Suprema Corte do país nesta sexta-feira contra os líderes oposicionistas da Assembleia Nacional pela suposta "usurpação" de seu poder em assuntos de política externa.

O conselheiro legal de Maduro, Elvis Amoroso, disse que os documentos foram entregues à corte acusando os dirigentes da Assembleia de violarem a Constituição solicitando apoio de organismos internacionais, entre eles a Organização dos Estados Americanos (OEA). Caracas vê a entidade de 35 membros como um fantoche da política hostil dos Estados Unidos.

"É inaceitável que organismos como a OEA... recebam estes homens quando sabem que estão usurpando uma provisão constitucional segundo a qual as relações internacionais são administradas exclusivamente pelo presidente", disse Amoroso à televisão estatal falando do tribunal.        

Embora a ação seja uma tentativa de impedir que líderes congressistas se dirijam a entidades estrangeiras como a OEA, existe nos círculos opositores o temor ainda maior de que o mandatário possa querer fechar de vez o Legislativo.

Maduro, de 53 anos, já está vencendo uma luta por poder com a Assembleia Nacional, cujas medidas vêm sendo rejeitadas repetidamente pela Suprema Corte, mas afirmou recentemente que o Parlamento pode "desaparecer" em breve.

Graças à revolta pública contra a crise econômica brutal no país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que tem 30 milhões de habitantes, a oposição assumiu o controle da casa legislativa na eleição de dezembro e está buscando um referendo revogatório para tirar Maduro do cargo ainda este ano.

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, ex-ministro das Relações Exteriores do Uruguai e hoje um inimigo ferrenho de Maduro, procurou iniciar nesta semana os procedimentos que podem levar à suspensão da Venezuela da entidade por violar a democracia.

O líder da Assembleia Nacional, Henry Ramos, um líder opositor veterano, pode vir a discursar em uma sessão da OEA.

(Por Girish Gupta e Eyanir Chinea)

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