Olam vê déficit de açúcar em expansão; diz que alta dos preços é justificada

LONDRES (Reuters) - Os preços do açúcar têm potencial para subir ainda mais após tocarem máximas em mais de dois anos e meio nesta segunda-feira, com a produção não conseguindo acompanhar a demanda em expansão pelo adoçante, afirmou o chefe de operações com açúcar da Olam Internacional em entrevista à Reuters.

Piero Carello disse que a Olam vê déficit global de açúcar crescendo para 7 milhões de toneladas em 2016/17 (outubro a setembro), ante um déficit de 4 milhões de toneladas estimado para 2015/16.

Os contratos futuros do açúcar na bolsa ICE subiram nesta segunda-feira para máxima em dois anos e meio de 19,42 centavos de dólar por libra-peso, impulsionados pelo sentimento de que o mercado global de açúcar deverá enfrentar um déficit após diversos anos de excedentes.

"Acreditamos que há justificativa nos fundamentos para a alta", disse Carello. "Os futuros do açúcar bruto podem ser negociados na casa inferior dos 20 centavos de dólar por libra-peso".

"O mercado precisa subir para um patamar em que ele sinalize que nós (o mundo) precisamos de açúcar", adicionou o executivo.

Carello disse que o consumo global de açúcar segue robusto, subindo cerca de 2 por cento por ano, ou mais de 3 milhões de toneladas.

A alta do consumo tem sido guiada pela Ásia, onde o crescimento da população e mudanças nos hábitos alimentares elevaram a demanda, na contramão do mundo desenvolvido, onde diversos países consideram taxar o adoçante para combater a obesidade.

Uma seca no segundo maior produtor, a Índia, também ajudou a levar o mercado global para um déficit.

A Olam projeta que a produção de açúcar da Índia cairá para 23 milhões de toneladas em 2016/17, ante 25,2 milhões de toneladas em 2015/16, devido à seca em regiões produtoras, incluindo Maharashtra.

"Se as (próximas chuvas de) monções vierem abaixo da expectativa, a produção na Índia poderá cair para até 20 milhões de toneladas, e isso pode significar que a Índia talvez precise de importações (na próxima temporada)", disse Carello.

Chuvas que interrompem a colheita de cana no centro-sul do Brasil, além de causar congestionamentos e atrasos nos embarques em portos do país, também ajudaram na recuperação dos contratos futuros de açúcar bruto, que subiram 56 por cento desde o final de fevereiro.

"As notícias (no Brasil) chamaram a atenção das pessoas, jogando gasolina na fogueira", disse Carello.

Ele disse que espera uma modesta alta na produção da Tailândia, segundo maior exportador global, para 10 milhões de toneladas de açúcar em 2016/17, ante 9,6 milhões de toneladas em 2015/16.

A produção da União Europeia deverá subir para 18,4 milhões de toneladas em 2017/18, ante 15,5 milhões em 2016/17 e 13,8 milhões em 2015/16, sinalizando um potencial para que o bloco seja um dos 10 maiores exportadores, com algo entre 2 e 2,5 milhões de toneladas por ano.

(Por David Brough)

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