Bayard Gontijo renuncia à presidência da Oi; diretor financeiro acumula cargo

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A empresa de telefonia Oi anunciou nesta sexta-feira que o diretor-presidente Bayard De Paoli Gontijo renunciou ao cargo e que o Conselho de Administração elegeu o diretor administrativo financeiro Marco Schroeder para assumir cumulativamente o comando da companhia.

Gontijo deixa a empresa no momento em que a operadora de telecomunicações negocia um alívio de suas pesadas dívidas financeiras. No começo do ano, ele havia prometido que conseguiria reestruturar a posição de capital da companhia.

Ele assumiu a Oi no final de 2014 após a saída também repentina de Zeinal Bava, após o calote de quase 1 bilhão de euros da holding Rioforte, do Grupo Espírito Santo, maior sócio da Portugal Telecom, com a qual a Oi estava se fundindo.

Schroeder foi diretor de Controladoria da Oi entre 2002 a 2011. Em 2014, o economista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com especialização pela Harvard Business School e na Wharton School, nos Estados Unidos, voltou à empresa, atuando como diretor financeiro da PT Portugal.

Esta é a segunda saída repentina de um presidente de uma grande companhia brasileira em apenas dois dias. Na quinta-feira, a fabricante de jatos Embraer anunciou a saída do presidente-executivo Frederico Curado, e que Paulo Cesar de Souza e Silva assumiria o cargo a partir de julho.

De acordo com duas fontes com conhecimento direto do assunto, o pedido de demissão de Gontijo surpreendeu e foi motivado por uma relação tensa com parte do Conselho de Administração sobre a negociação da dívida. Com a saída de Gontijo, as negociações passam a ser lideradas pelo diretor de Finanças Corporativas, Flavio Nicolay Guimarães, disseram as fontes.

DÍVIDA

A Oi encerrou o primeiro trimestre com prejuízo líquido de 1,64 bilhão de reais, impactada pelo resultado financeiro negativo de 1,9 bilhão de reais. A dívida líquida estava em março em 40,84 bilhões de reais, alta de 7 por cento ante o fim do ano passado, enquanto o caixa disponível ficou em 8,53 bilhões de reais, queda de 49,3 por cento sobre o trimestre imediatamente anterior.

Em abril a empresa fechou um acordo de confidencialidade com a Moelis & Company, que assessora um grupo de detentores de bônus com vistas à reestruturação de sua dívida.

O esforço para reduzir o endividamento veio após fracasso na tentativa de fusão com a TIM , com participação da LetterOne, empresa de investimento do bilionário russo Mikhail Fridman, que desistiu do negócio após ter proposto investir até 4 bilhões de dólares na Oi, se ela se unisse à TIM. [L2N1640YL]

As agências de classificação de risco Standard & Poor's e Moody's cortaram o rating global da Oi, em meio à expectativa de que a estratégia da empresa para reduzir a dívida deveria envolver troca de dívida com desconto.

(Por Juliana Schincariol, com reportagem adicional Guillermo Parra-Bernal)

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