"Estrada da morte" para Aleppo, na Síria, é atingida por ataques aéreos e isola áreas rebeldes

Por Tom Perry e Suleiman Al-Khalidi

GAZIANTEP, Turquia/AMÃ (Reuters) - O setor liderado pela oposição na dividida cidade síria de Aleppo foi cortado do mundo exterior nos últimos dias devido a uma escalada de ataques aéreos e de artilharia sobre a única estrada de acesso, deixando centenas de milhares de pessoas sitiadas.

A campanha do governo para retomar Aleppo provavelmente enterrou o pouco de esperança que restou para reviver um esforço diplomático visando pôr fim à guerra civil de cinco anos, depois de irem abaixo as negociações e um cessar-fogo patrocinado pelos Estados Unidos e pela Rússia no início deste ano.

Aleppo, a maior cidade da Síria antes da guerra, quando tinha mais de 2 milhões de habitantes, foi por anos dividida em setores rebeldes e governamentais, e reunir as áreas tem sido um dos maiores objetivos do presidente Bashar al-Assad.

Estima-se que 350 mil pessoas ainda vivam no setor rebelde, em condições adversas agravadas pela recente tentativa de sitiá-las, cortando o acesso à última rota restante, a Estrada Castello, em homenagem ao antigo castelo de Aleppo.

"O regime não foi capaz de cortar a estrada por terra, por isso, decidiu manter continuamente os aviões no céu, atingindo tudo o que passa, independentemente do que seja", disse Zakaria Malahifji, veterano do grupo rebelde Fastaqim, de Aleppo.

"Quem quiser ir para a estrada Castello fará uma missão suicida", disse. "Está sendo dessa forma há 10 ou 12 dias. A situação era difícil antes – ela estava na mira e as pessoas atravessavam com dificuldade - mas agora está quase eliminada, ninguém se atreve a usá-la", afirmou, falando do escritório na cidade turca de Gaziantep, perto da fronteira com a Síria.

Nas últimas semanas, o foco internacional na Síria tem sido, em parte, voltado para o conflito com combatentes do Estado Islâmico, já que tanto o governo quanto seus inimigos tiveram ganhos às custas dos militantes islâmicos ultrarradicais em várias frentes.

Mas a esperança das potências estrangeiras – de que a guerra civil também poderia ser resolvida - terminou, com Aleppo sendo o maior campo de batalha de todos. Centenas de pessoas foram mortas na cidade desde a interrupção das negociações de paz.

Em um discurso na semana passada, Assad prometeu recuperar "cada polegada" da Síria. Aleppo, disse ele, seria um "cemitério" para as ambições de seu inimigo regional, o presidente turco, Tayyip Erdogan, que tem apoiado grupos rebeldes.

Uma fonte pró-Damasco, que falou sob condição de anonimato, disse que a referência era um sinal de suas intenções: "Por quê esta ameaça? Porque existem preparativos para algo grande em Aleppo".

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