Estudo não detecta problemas em bebês expostos ao Zika no fim da gravidez

Por Julie Steenhuysen

CHICAGO (Reuters) - Um estudo sobre o contágio com o Zika vírus na Colômbia não constatou nenhum problema óbvio em recém-nascidos num universo de mães infectadas no terceiro trimestre de gravidez, aumentando as esperanças de que o Zika possa não causar danos graves ao feto quando as mulheres são infectadas no fim da gravidez.

"É de certa forma encorajador o fato de que parece que as infecções no terceiro trimestre não representam grande risco de consequência muito grave”, afirmou a doutora Margaret Honein, chefe do setor de problemas de nascimento no Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, que é uma das autoras do estudo publicado nesta quarta-feira no periódico New England Journal of Medicine.

Ela enfatizou que as conclusões são preliminares, dizendo que “é criticamente importante” continuar a seguir esses bebês e monitorar outros possíveis efeitos da exposição ao Zika vírus.

Margaret Honein declarou que as crianças colombianas precisam ser acompanhadas por conta de potenciais consequências como perda de audição ou problemas de visão, ou a qualquer problema de desenvolvimento.

O Zika, transmitido por mosquito, ataca as células cerebrais de fetos e causa microcefalia, má-formação craniana de recém-nascidos.

No Brasil, autoridades confirmaram mais de 1.400 casos de microcefalia em bebês cujas mães foram expostas ao Zika durante a gravidez. Na Colômbia, o vírus chegou em outubro de 2015, cerca de cinco meses depois do início do surto no Brasil.

A pesquisa na Colômbia envolveu informações sobre 65.726 casos de Zika registrados entre 9 de agosto de 2015 e 2 de abril de 2016. Neste universo estão incluídos 1.850 gestantes sobre as quais os pesquisadores sabiam o trimestre do contágio.

Das 600 infectadas no terceiro trimestre de gravidez, 90 por cento deram à luz, e nenhuma teve um filho com microcefalia ou outros problemas óbvios.

As grávidas que estavam no primeiro ou segundo trimestre começaram a dar à luz, e, entre essas mulheres, segundo Margaret Honein, tem havido “um número crescente” de problemas.

"Eu acho que os números vão subir”, disse a pesquisadora, que espera mais relatos de microcefalia e outros problemas entre as mães infectadas com o Zika no início da gravidez.

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