Tite assume seleção brasileira com desafio de recuperar prestígio da equipe

Por Tatiana Ramil

SÃO PAULO (Reuters) - Técnico mais vitorioso do futebol brasileiro nos últimos anos, Tite foi confirmado nesta quarta-feira como novo comandante do Brasil, com a missão de recuperar a equipe após maus resultados e vexames históricos.

O treinador do Corinthians aceitou convite feito pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para substituir Dunga, anunciou o presidente do clube paulista, Roberto de Andrade, em entrevista coletiva.

"O Tite merece a seleção, mas a CBF não merece um homem como o Tite", declarou Andrade, que criticou a maneira como a entidade negociou com o treinador, acrescentando que o próprio Tite o comunicou que havia acertado a transferência. "Ele está indo para um lugar que ele sempre almejou estar. Minha torcida é por ele...Espero que ele tenha sucesso."

O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, rebateu, afirmando que o presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, tentou contato com Andrade, mas não conseguiu. "Foram várias tentativas de telefonemas, mensagens...Adotamos todos os mecanismos éticos e institucionais", disse.

Feldman afirmou ainda que Tite e Del Nero vão se reunir na quinta-feira para fechar os detalhes do contrato e minimizou as críticas feitas pelo técnico, que chegou a assinar um manifesto pedindo mudanças no comando da CBF.

“Em hipótese nenhuma (é um problema). A única ação importante na CBF é a mudança e o Tite compreendeu isso nas informações que foram reveladas a ele ontem a noite”, declarou.

Tite, no entanto, não será treinador da equipe olímpica. Em seu site, CBF anunciou que o técnico da seleção sub-20, Rogério Micale, que já vinha comandando o time olímpico do Brasil em amistosos enquanto Dunga dirigia o time principal, vai treinar a seleção nos Jogos Olímpicos de agosto.

Tite, cujo nome é Adenor Leonardo Bacchi, esperava ter sido convidado a dirigir o Brasil após o vexame na Copa do Mundo de 2014, que incluiu a pior derrota do time na história, a goleada de 7 x 1 para a Alemanha na semifinal.

No entanto, o escolhido na ocasião foi Dunga, que acabou demitido na terça-feira depois de uma série de maus resultados. O Brasil foi eliminado nesta semana na primeira fase da Copa América pela primeira vez desde 1987 e perdeu nas quartas de final do mesmo torneio no ano passado, além de ocupar o 6º lugar nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018.

Tite, de 55 anos, assume a seleção num momento crítico, em que o time e a diretoria da CBF são questionados, e às vésperas dos Jogos Olímpicos. Mas ele deve ter apoio da torcida, uma vez que os títulos conquistados no futebol nacional o credenciam como um dos técnicos mais respeitados do país.

As conquistas de Tite, incluindo a Copa Libertadores e o Mundial de 2012 pelo Corinthians, foram alcançadas com um grupo sem grandes estrelas, mas com um trabalho baseado no coletivo e em merecimento, palavra que ele adora utilizar.

Considerado justo no trato com os jogadores, assim tem o respeito deles. Também é elogiado pela imprensa, por seu comportamento afável, diferente dos dois últimos técnicos do Brasil, Dunga e Luiz Felipe Scolari, que ficaram marcados por relacionamentos tensos com a mídia esportiva.

FAMA NO CORINTHIANS

Gaúcho de Caxias do Sul, Tite começou a carreira de técnico em clubes gaúchos, depois de ter sua carreira de jogador abreviada por lesões nos joelhos. Seu primeiro trabalho de destaque ocorreu em 2000, quando foi campeão estadual pelo Caxias.

Contratado pelo Grêmio, ganhou repercussão nacional com a conquista da Copa do Brasil em 2001 sobre o Corinthians, então comandado pelo badalado Vanderlei Luxemburgo.

A primeira passagem de Tite pelo Corinthians ocorreu em 2004, e ele deixou uma boa impressão ao levar um time que estava perto do rebaixamento até o 5º lugar do Campeonato Brasileiro. Acabou demitido no ano seguinte, ao não aceitar interferências de um grupo que havia feito parceria com o clube paulista.

Depois de passar por Atlético Mineiro e Palmeiras, sem sucesso, Tite comandou o Internacional, sendo campeão da Copa Sul-Americana de 2008 e do Gaúcho de 2009. Mas foi na volta ao Corinthians, em 2010, que o treinador, que também já trabalhou nos Emirados Árabes, teve seu maior sucesso.

Após chegar perto do título brasileiro em 2010, Tite levou os paulistas à conquista nacional de 2011. No ano seguinte, a equipe, mesmo sem jogadores consagrados, foi campeã da Libertadores e do Mundial de Clubes, batendo o Chelsea na decisão, com um estilo de jogo forte na defesa.

Em 2013, foi criticado no Corinthians por ter sido considerado complacente com jogadores campeões mundiais que não estavam mais rendendo como antes e deixou o clube no final do ano. Passou 2014 estudando e visitou colegas, como Carlo Ancelotti, então técnico do Real Madrid, para, segundo ele, aperfeiçoar estratégias de ataque.

Voltou ao Corinthians em 2015 e mostrou um repertório ofensivo mais amplo, com um meio-campo ágil e muitas trocas de passe e posições, para ser, de novo, campeão brasileiro. O time falhou, no entanto, em competições mata-mata, como Libertadores e Copa do Brasil. Nada que abalasse seu prestígio com a torcida.

Agora, ele tem uma nova missão: resgatar o prestígio da seleção brasileira.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro)

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