Rivais disputam últimos votos na véspera de referendo decisivo na Grã-Bretanha sobre UE

Por Guy Faulconbridge e Michael Holden

LONDRES (Reuters) - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e seus adversários eurocéticos vão cruzar a Grã-Bretanha nesta quarta-feira em uma última tentativa de conquistar votos na véspera do decisivo referendo sobre a permanência ou não na União Europeia.

A votação, que reflete o aumento do populismo na Europa e nos Estados Unidos, vai definir o futuro da Europa e do Ocidente. Uma vitória do campo favorável à saída pode provocar um turbilhão nos mercados financeiros.

"Está muito apertado, ninguém sabe o que vai acontecer", disse Cameron ao jornal Financial Times desta quarta-feira, à medida que pesquisas de opinião mostram uma disputa palmo a palmo pela vitória.

O referendo de quinta-feita ocorre uma semana após o assassinato da parlamentar pró-UE Jo Cox, que chocou o país e colocou em dúvida o tom de uma campanha que se tornou cada vez mais amarga.

Grande parte do debate se concentrou em duas questões: economia e imigração.

A Prefeitura de Londres, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a maioria dos líderes empresariais britânicos apoiam Cameron e sua posição de permanência, alegando que deixar a UE seria levar a Grã-Bretanha para a recessão, com perda de empregos e aumento dos preços.

Os que apoiam uma saída, chamada de "Brexit", conquistaram muitos eleitores ao dizer que a Grã-Bretanha iria reconquistar o controle sobre a imigração caso saia do bloco, que classificam como dominador.

Ambos os lados foram acusados de usar afirmações infundadas e táticas de intimidação.

Em um dos últimos grandes debates do referendo, o recém-eleito prefeito de Londres, Sadiq Khan, acusou Boris Johnson, principal líder da campanha pela saída, de orquestar um "projeto de ódio" e de explorar temores relacionados à imigração para conquistar votos contra a UE.

"Sua campanha não tem sido 'projeto medo', tem sido 'projeto ódio', até onde vai a imigração", disse Khan, que recebeu aplausos da plateia de 6 mil pessoas em debate televisionado ao vivo na noite de terça-feira no estádio de Wembley, em Londres.

Johnson, favorito nas casas de apostas para substituir Cameron em caso de vitória da saída, disse à plateia: "Esta quinta-feira pode ser o dia de independência do nosso país".

Johnson, do Partido Conservador e antecessor de Khan na prefeitura de Londres, disse que a campanha pela permanência não fala sobre nada além de medo e estava "desvalorizando" a Grã-Bretanha. Ele planeja viajar nesta quarta-feira de helicóptero pela Grã-Bretanha para tentar mobilizar eleitores.

A probabilidade implícita da vitória da permanência estava em 76 por cento, de acordo com cotações da casa de apostas Betfair, enquanto a libra recuava para 1,4659 dólar após chegar até 1,4788 dólar na terça-feira, no maior nível desde 4 de janeiro.

As urnas abrirão às 3h da manhã (horário de Brasília) da quinta-feira e fecharão às 18h. O resultado oficial deve ser divulgado por volta das 3h da manhã de sexta-feira, mas resultados parciais e dados de comparecimento dos 382 centros de apuração devem ser anunciados por volta das 22h de quinta.

Líderes mundiais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o presidente chinês, Xi Jinping, e a chanceler alemã, Angela Merkel, fizeram apelos aos britânicos pela permanência na UE. Alguns alertaram sobre os retrocessos do isolamento.

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