BC não vê meta ajustada de inflação; queda de juros tem de ser responsável, diz Ilan

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta terça-feira que não há necessidade de ajustar a meta de inflação de 2017, uma vez que as expectativas do BC para o próximo ano estão em torno do centro do objetivo, e defendeu que um movimento de redução dos juros básicos tem de ser feito de "forma responsável".

"O centro da meta em 2017 é (meta) ambiciosa e crível ao mesmo tempo", defendeu. Mais cedo, o Relatório Trimestral de Inflação mostrou que as expectativas do BC, pelo cenário de referência, são de alta do IPCA de 4,7 por cento no ano que vem. Para 2016, a autoridade monetária aumentou sua conta para o avanço da inflação a 6,9 por cento.

O centro da meta de inflação é de 4,5 por cento neste ano e em 2017. Para 2016, a margem é de 2 pontos percentuais para mais ou menos e, no ano seguinte, de 1,5 ponto.

O presidente do BC disse ainda que a projeção de inflação para 2017 ainda não foi exatamente no centro da meta no relatório --como chegou a ser colocada na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) em 16 de junho-- porque a expectativa para o IPCA aumentou em 2016 e por preocupações com preços agrícolas.

Segundo Ilan, estão sendo criadas condições para que a Selic --em 14,25 por cento desde julho passado-- seja reduzida e destacou, entre outros, a necessidade de aprovação de medidas fiscais pelo Congresso Nacional.

Em coletiva de imprensa, Ilan também disse enxergar risco negativo para a inflação ligado a preocupações globais, chamando a atenção para a decisão recente do Reino Unido pela saída da União Europeia (UE), conhecido como "Brexit".

"Temos o Brexit que, no curto prazo, está sendo contido pelos bancos centrais, mas temos o impacto de médio e longo prazo no crescimento. Crescimento é desafio global", afirmou.

As taxas dos contratos de juros futuros mais curtos tinham forte alta, praticamente eliminando as chances indicadas pela curva de corte da Selic em agosto, após os dados do BC. Com isso, cresceram ainda mais as chances de que o afrouxamento monetário só comece em outubro, com a curva mostrando a Selic terminando o ano a 13,25 por cento.

Ilan destacou ainda dúvidas sobre o crescimento da China e da Europa. Em relação aos Estados Unidos, disse que a perspectiva para o crescimento, mesmo parecendo mais robusta, de vez em quando enfraquece, "e quando não enfraquece as preocupações com as taxas de juros vêm".

Sobre câmbio, Ilan assinalou que o BC "aprecia" o regime de câmbio flutuante dentro do tripé macroeconômico, mas que poderá usar com "parcimônia" todas as ferramentas das quais dispõe sempre que julgar necessário, inclusive para reduzir o estoque de swaps cambiais.

"Manter o regime de câmbio flutuando e ao mesmo tempo tentar encontrar uma janela de oportunidade para continuar reduzindo esse estoque de swaps quando e se for possível", resumiu.

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