Paraguai desaprova passagem da presidência do Mercosul para Venezuela

ASSUNÇÃO (Reuters) - O Paraguai discorda da passagem da presidência temporária do Mercosul para a Venezuela, devido ao fato de que o país produtor de petróleo enfrenta uma situação política e econômica cada vez mais complicada, disse nesta quarta-feira o ministro do Exterior paraguaio, Eladio Loizaga.

Ele lamentou a decisão que chamou de “unilateral” dos seus parceiros no bloco Argentina e Uruguai de anunciar a passagem para o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, numa reunião de ministros em julho.

A posição paraguaia abre uma nova polêmica entre os parceiros do Mercosul, bloco que tem sofrido divisões e cujos integrantes, principalmente o Brasil e a Venezuela, vivem turbulências internas.

A presidência do Mercosul “não é uma coisa qualquer, tem a representação jurídica internacional, e transmitir a presidência temporária a um Estado que a cada dia vai se complicando, e mais esse anúncio de querer fechar a Assembleia nacional, não coincide com a vocação democrática a qual acreditamos estão ligados Argentina e Uruguai”, afirmou Loizaga.

O ministro do Exterior do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, havia afirmado à imprensa depois de se reunir com sua colega argentina, Susana Malcorra, que a presidência do Mercosul seria passada para a Venezuela como estava estabelecido, ainda que não numa reunião dos chefes de Estado por conta das condições políticas difíceis da Venezuela e do Brasil.

Lozaiga afirmou em comunicado que o Paraguai não havia sido informado oficialmente da decisão.

"Lamentamos, sentimos, honestamente, que Uruguai e Argentina tenham anunciado publicamente sem antes informar e consultar o nosso país. Ontem (terça-feira) falei com o ministro José Serra, e ele também está surpreso”, completou.

O Paraguai é o integrante do Mercosul que mais tem questionado o governo de Maduro e pediu uma reunião especial para analisar a situação. O encontro, requisitado no marco do protocolo do compromisso democrático do bloco, ainda não foi convocado.

A tensão política aumentou na Venezuela nas últimas semanas por conta da falta de produtos básicos, inflação alta e recessão econômica.

(Reportagem de Daniela Desantis)

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