Cúpula do Mercosul que passaria presidência à Venezuela não será realizada, diz fonte

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - A reunião de chefes de Estado do Mercosul, que iria passar a presidência do bloco à Venezuela, não vai ser realizada como previsto, disse à Reuters uma alta fonte do governo, acrescentando que será marcada uma reunião de chanceleres que não terá poder para definir sobre a presidência.

“Ainda se está discutindo. Já teve precedentes para se adiar uma cúpula. Em 2013 a Venezuela ficou mais de um ano na presidência”, disse a fonte nesta quinta-feira.

Não há um consenso entre os quatro países do bloco (Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai) –fora a Venezuela– sobre entregar ou não a presidência a Nicolás Maduro.

No início desta semana, em uma reunião bilateral entre os chanceleres do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, e da Argentina, Susana Malcorra, os dois países teriam acertado que a passagem da presidência seria feita em uma reunião em nível ministerial ainda sem data, algo que nunca aconteceu antes.

Em entrevista, Nin Novoa atribuiu a decisão a problemas políticos que estariam sendo enfrentados pela Venezuela e pelo Brasil, o que incomodou o Itamaraty. Mas a reação mais forte foi por parte do Paraguai, cujo chanceler Eládio Loizaga, em nota, criticou a decisão unilateral dos dois países e afirmou que seu governo não concorda.

“Nós não fomos informados oficialmente dessa posição do Uruguai e da Argentina. É um problema que tem que se achar uma solução. O Uruguai quer passar, o Paraguai não quer”, disse a fonte. A posição brasileira, explicou, é de tentar chegar a um consenso.

Outra fonte do governo disse à Reuters que a posição brasileira também é contrária a que se entregue a presidência à Venezuela, mas não pretende partir para o confronto. Até agora, a intenção era evitar a reunião de presidentes que permitiria a transferência.

O Uruguai já ofereceu três datas distintas –24 de junho, depois 2 de julho e a última, 12 de julho. Nenhuma delas foi aceita, até que se decidiu por uma reunião de chanceleres, que também precisa de uma data consensual para acontecer, o que até agora não existe.

O Brasil tenta uma outra negociação, auxiliado pela Argentina: a decisão da própria Venezuela de alegar que não teria condições nesse momento de receber a presidência do bloco e repassar a vez, disse à Reuters uma fonte diplomática. No entanto, haveria ainda resistência por parte do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que pretende ter algum tipo de benefício em troca.

(Reportagem adicional de Alonso Soto)

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