Hillary enfrenta desafio ao tentar se equilibrar entre manifestantes e população temerosa

Por James Oliphant

WASHINGTON (Reuters) - Os assassinatos de cinco policiais da cidade norte-americana de Dallas aumentaram o desafio da provável candidata presidencial democrata Hillary Clinton, que vem tentando convencer tanto os eleitores apreensivos com a instabilidade social quanto os ativistas revoltados com os abusos dos agentes da lei.

Para Hillary, as preocupações de caráter político são de dois tipos. Ela não pode ser dar ao luxo de ignorar os eleitores negros e progressistas, de cujo comparecimento em massa ela necessita na eleição de novembro, adotando uma postura muito contundente contra manifestações como as que se viu recentemente nos Estados de Louisiana e Minnesota e que resultaram em centenas de prisões.

Ao mesmo tempo, Hillary não pode permitir que mais eleitores moderadores que estão preocupados com as imagens violentas que têm visto na televisão caminhem na direção de seu rival republicano, Donald Trump, que vem tentando usar a tragédia de Dallas para argumentar que é o melhor candidato para impor a lei e a ordem.

A própria Hillary reconheceu a linha tênue em que transita. Nos comentários que fez na sexta-feira, depois do ataque de um franco-atirador que deixou cinco policiais mortos, ela admitiu estar enviando uma mensagem confusa ao defender uma reforma para conter a má conduta policial e no mesmo fôlego louvar a honra e a bravura de policiais.

"Sei que, simplesmente por dizer essas coisas ao mesmo tempo, posso aborrecer algumas pessoas", disse Hillary na Filadélfia.

Uma pesquisa de opinião Reuters/Ipsos revelou diferenças profundas na maneira como os apoiadores de Trump e de Hillary veem a polícia quando se trata de suspeitos afro-americanos. Só 24 por cento dos eleitores do magnata acreditam que os negros são mais maltratados do que os brancos, percentual que chega a 55 por cento entre os apoiadores da ex-primeira-dama, de acordo com uma sondagem feita entre os dias 13 de maio e 7 de junho.

Os afro-americanos também são quase o dobro dos brancos inclinados a descrever a polícia como "violenta demais", segundo a pesquisa da Reuters.

Antes do ataque, Hillary havia tentado mostrar sua solidariedade ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) na esteira de mortes de negros causadas por policiais em um subúrbio de St. Paul, no Minnesota, e Baton Rouge, na Louisiana. "Os brancos" precisam começar a ouvir, afirmou ela, "os clamores legítimos que estão vindo de nossos concidadãos afro-americanos".

No domingo, Trump argumentou no Twitter que os EUA são uma "nação dividida" devido em parte à liderança de Hillary e do presidente Barack Obama.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos