Malala diz que futuro de jovens refugiadas da Somália corre risco se forem expulsas do Quênia

DADAAB, Quênia, (Thomson Reuters Foundation) - Meninas somalis correm o risco de deixar de estudar e se casarem muito cedo se forem forçadas a deixar o maior campo de refugiados do mundo no Quênia e voltarem para a Somália, país devastado pela guerra onde não há escolas suficientes, disse Malala Yousafzai nesta terça-feira.

A adolescente paquistanesa ativista da educação, que sobreviveu a um ataque quase fatal do Talibã em 2012, passou seu 19º aniversário no campo de Dadaab, que o Quênia quer fechar por preocupações com a segurança.

"O problema é que não há escolas suficientes na Somália", disse Malala à Thomson Reuters Foundation, sentada em uma sala de uma das sete escolas secundárias de Dadaab.

"Se elas não forem à escola, elas se casam muito jovens — o meu futuro teria sido o mesmo se eu não tivesse ido à escola", disse Malala, a pessoa mais jovem a receber um prêmio Nobel. "Você é como uma propriedade de outra pessoa e eu nunca quis isso. Eu quis ser eu mesma".

O Quênia, país do leste africano que tem sido alvo de uma série de ataques de extremistas islâmicos, pretende enviar 150 mil dos 342 mil habitantes de Dadaab, que são em sua maioria somalis, para casa até o fim de 2016.

O país recuou de um plano anterior, anunciado em maio, de fechar o campo inteiro até novembro, seguindo um clamor de grupos de direitos humanos que disseram que a maior parte da Somália ainda não é segura para receber de volta os refugiados.

A ONU está dando às famílias que regressam à Somália vales para pagar escolas particulares, que podem custar cerca de 20 dólares por mês, disse o chefe da agência para refugiados da ONU no Quênia, Raouf Mazou.

Entre 500 e 1.000 refugiados somalis regressam voluntariamente à Somália a cada semana, disse ele, acrescentando que desde dezembro de 2014 mais de 14 mil deixaram o campo.

O custo para enviar todas as crianças afetadas por conflitos para a escola seria de 8,5 bilhões por ano, uma soma que o mundo pode "facilmente pagar", disse Malala.

(Por Katy Migiro)

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))

    REUTERS LM RBS

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