Kerry leva para a Rússia proposta de cooperação em ataques na Síria

Por David Brunnstrom e Denis Dyomkin

MOSCOU (Reuters) - O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, levou para Moscou nesta quinta-feira uma proposta para reforçar a cooperação militar e de inteligência contra o Estado Islâmico e a al Qaeda na Síria, apesar de dúvidas entre autoridades de defesa e de inteligência dos Estados Unidos.

Kerry se encontrou com o presidente russo, Vladimir Putin, no fim desta quinta-feira, e vai conversar com o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, na sexta-feira, numa visita que autoridades norte-americanas descreveram como um teste da disposição de Moscou para ajudar a retomar o processo de paz da Síria.

Putin disse que sua última conversa com o presidente dos EUA, Barack Obama, o havia convencido de que ambos os lados eram sinceros nos esforços para encontrar uma solução na Síria.

"Espero que, depois das consultas de hoje, você possa avisá-lo dos progressos realizados e do possível avanço que podemos fazer", disse Putin a Kerry, de acordo com repórteres.

Segundo Kerry, Obama considerou sua última conversa com Putin "construtiva".

"Esperamos ser capazes de fazer algum progresso genuíno que seja mensurável e implementável e que possa fazer a diferença no curso dos acontecimentos na Síria", declarou Kerry.

A extensão da coordenação com a Rússia proposta por Kerry e exposta num documento norte-americano vazado e publicado no Washington Post nesta quinta representaria uma importante mudança após anos de rivalidade entre Washington e Moscou, que dão apoio a lados opostos na guerra civil de cinco anos na Síria.

O documento prevê compartilhamento de inteligência para identificar lideranças, campos de treinamento, linhas de suprimento e bases da Frente Nusra, associada da al Qaeda na Síria.

Ataques contra esses alvos poderiam ser feitos pelos aviões dos EUA ou da Rússia e a coordenação ampliada seria feita por intermédio de um Grupo Conjunto de Implementação com base na região da capital da Jordânia, Amã.

Os EUA e a Rússia estabeleceriam sedes separadas para a operação e um centro compartilhado de coordenação, onde eles colocariam autoridades experientes, pessoal de inteligência e especialistas em planejamento de ataques.

Eles decidiriam começar simultaneamente ataques contra alvos da Frente Nusra e paralisar as atividades militares aéreas sírias em áreas designadas.

A proposta também permite que a Rússia use poder aéreo para defender as forças sírias de ataques da Frente Nusra dentro de uma área designada, se acordado previamente com os EUA.

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