Plano de segurança da Olimpíada do Rio será revisado após ataque em Nice

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O plano de segurança da Olimpíada do Rio de Janeiro subiu de patamar e será revisado depois do atentado ocorrido na França, em que um caminhão foi usado para matar mais de 80 pessoas, afirmou nesta sexta-feira o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen.

"Já estamos, os três órgãos e os três ministros da área de segurança, fazendo a revisão de todo o nosso plano de segurança para que possamos identificar eventuais lacunas e fazer uma integração mais intensa", disse.

De acordo com o general, é possível que seja necessário "sacrificar o conforto pela segurança" com a adoção de medidas como o aumento de revistas, barreiras e interdição de ruas no Rio de Janeiro durante os Jogos de agosto.

O atentado na cidade francesa de Nice, em que um franco-tunisiano jogou um caminhão em cima de centenas de pessoas que assistiam aos fogos do Dia da Bastilha, está sendo tratado como um ponto de inflexão na análise da segurança dos Jogos, segundo Etchegoyen, uma vez que não foram usados explosivos ou armas, mas um veículo. [nL1N1A10BD]

"A segurança dos Jogos subiu de patamar", afirmou, acrescentando que o caso exige "uma série de revisões e uma série de novas providências" para garantir a segurança do evento.

O presidente interino, Michel Temer, antecipou sua volta de São Paulo a Brasília e marcou uma reunião para a tarde desta sexta-feira com ministros para tratar do assunto após o atentado na França.

Segundo o general, que participou da reunião, foi feito um relato a Temer sobre todo o planejamento de segurança. A ideia, explicou Etchegoyen, é fazer uma verificação final para identificar lacunas até a próxima segunda-feira, quando deve haver uma nova reunião.

"Seria uma monumental irresponsabilidade se não revisássemos o que estamos fazendo", disse após o encontro com o presidente, ao ser questionado sobre a possibilidade de haver falhas no esquema de segurança a pouco tempo dos Jogos Olímpicos.

O general afirmou ainda que pode haver o anúncio de medidas na próxima semana sobre o tema.

Durante um evento com tropas no Rio de Janeiro, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que também vai haver um aumento do número de militares na cidade.

Segundo Jungmann, um adicional de 3.200 homens das Forças Armadas será disponibilizado para uma força de contingência que se somará aos mais de 21 mil militares das Forças Armadas já designados para a cidade do Rio durante os Jogos Olímpicos.

"O evento de Nice nos preocupa e o evento de Nice vai se traduzir em mais controle, mais segurança, mais gente e procedimentos que vão ser ampliados", afirmou.

GUARDA ALTA

O governo federal também decidiu enviar um agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) a Nice para conhecer mais detalhes do modus operandi do atentado. Também nesta manhã já foi feita uma reunião na Abin com representantes dos serviços de inteligência franceses para, segundo o general, obter mais detalhes que possam ajudar no planejamento de segurança da Olimpíada.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse que nesse momento a segurança está ao lado do transporte como as principais preocupações para os Jogos, mas garantiu que a cidade será "a mais segura do mundo" durante os Jogos Olímpicos.

"Tenho plena confiança nas forças de segurança que estão há alguns anos se preparando para esse evento.... Tenho certeza que a cidade vai estar muito segura", afirmou.

O Brasil já estava com a guarda alta para possíveis ataques devido aos atentados recentes em Paris, Bruxelas e Orlando, mas as autoridades brasileiras têm reiterado que não foi identificada qualquer ameaça relativa aos Jogos Olímpicos que começam em 5 de agosto, com a esperada presença de até 500 mil turistas estrangeiros.

Além de um efetivo total de 85 mil policiais, soldados e outros agentes de segurança, mais de duas vezes o tamanho da força usada nos Jogos de Londres 2012, o Brasil tem cooperado com serviços de inteligência e militares de outros países para compartilhar informação, táticas e estratégias.

Não está claro ainda se o ataque de Nice tem alguma ligação com grupos militantes ou se foi realizado se forma individual por um cidadão francês nascido na Tunísia, de 31 anos, que foi morto pela polícia. Mas a possibilidade de um ataque de um chamado "lobo solitário" está entre as que mais preocupam as autoridades de segurança, porque as redes conhecidas são mais facilmente monitoradas do que pessoas alheias.

Nesta sexta-feira, a polícia do Rio realizou exercícios de segurança, incluindo simulação de detenção de um terrorista envolvendo um helicóptero e uma equipe Swat. O exercício ocorre após outras simulações feitas pela polícia e as Forçar Armadas contra possíveis casos de ataques a bomba ou químicos.

Apesar de as autoridades brasileiras garantirem que não houve qualquer ameaça confirmada contra os Jogos do Rio, uma autoridade militar francesa comentou em maio, durante uma audiência parlamentar cuja transcrição foi divulgada esta semana, sobre a possibilidade de um ataque de um jihadista brasileiro contra a delegação francesa no Rio. [nL1N19Z1U1]

O general Etchegoyen afirmou que essa informação ainda não foi repassada aos órgãos de inteligência brasileiros.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu e Maria Carolina Marcello, em Brasília; Rodrigo Viga Gaier e Paulo Prada, no Rio de Janeiro)

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