Rio de Janeiro corre para oferecer condições aos atletas; soldados chegam para Olimpíadas

Por Paulo Prada

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Dezenas de milhares de tropas armadas se espalhavam pelo Rio de Janeiro e organizadores enfrentavam uma rebelião pela Austrália sobre hospedagens inacabadas enquanto atletas chegavam para os primeiros Jogos Olímpicos realizados na América do Sul na história.

A equipe olímpica da Austrália, queixando-se que suas estadias na Vila Olímpica são inabitáveis, recusou-se a dar entrada. A chefe da delegação do país, Kitty Chiller, reclamou de "toaletes entupidos, vazamentos em encanamentos e fiação exposta".

Na reta final de preparação para a Olimpíada, que começa no dia 5 de agosto, mais de 60 mil homens do Exército assumiram posições na cidade, como parte do contingente total de mais de 85 mil soldados, policiais e outros agentes de segurança que serão empregados no evento em tempos de medo e temor após os massacres em Alemanha, França e Estados Unidos.

Enquanto isso, as autoridades redirecionaram o tráfego na Barra da Tijuca, local de muitas modalidades e da Vila Olímpica, que abrigará mais de 11 mil atletas, treinadores e profissionais de apoio.

Os organizadores ainda estão correndo para terminar detalhes, desde o local do vôlei de praia até uma nova linha de metrô, programada para ser inaugurada a apenas alguns dias da cerimônia de abertura. Na Vila Olímpica, que começou oficialmente a receber moradores neste domingo, equipes de manutenção ainda faziam reparos de última hora.

As reclamações australianas encontram respaldo em algumas reportagens da mídia local dizendo que algumas delegações, preocupadas com questões semelhantes, procuraram contratar suas próprias equipes de manutenção para deixar o alojamento adequado para os atletas.

Fontes da Reuters haviam revelado na sexta-feira problemas nas conexões de energia da Vila dos Atletas e do Parque Olímpico e alertaram que as interligações serão finalizadas em cima da hora e com "emoção", gerando risco para o fornecimento de luz.

Na semana passada, houve falta de luz na Vila dos Atletas, casos de furto de objetos e acumulo de lixo no local.

Neste domingo, representantes do comitê rio 2016 admitiram que há problemas que estão sendo reparados para que os atletas se sintam mais à vontade e confortável no na Vila.

Segundo o diretor de comunicação do comitê, Mario Andrada, os prédios mais problemáticos ou inacabados são os da Austrália, Nova Zelândia e Brasil. "É coisa de prédio novo, mas não deveria ter acontecido. São algumas coisas elétricas e alguns vazamentos", disse ele a jornalistas.

O comitê montou uma equipe de 500 homens para tentar resolver os problemas o mais rápido possível. "Estamos dando a última pegada em todos os apartamentos e a gente acha que acaba tudo até quarta-feira, no mais tarda na quinta...todo mundo reclamou e há mais prédios assim. Os mais críticos são os da Austrália, Nova Zelândia e do Brasil... acredito que 80 por cento dos problemas têm a ver com a limpeza", declarou ele.

Na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, aconteceram questões semelhantes, com equipes de manutenção fazendo ajustes em estádios ainda horas antes dos jogos.

A nova linha de metrô, que vai conectar os famosos bairros de Copacaba e Ipanema à Barra da Tijuca, sofreu repetidos atrasos e ainda está passando por testes, embora a inauguração esteja marcada para o próximo sábado. Ainda assim, a nova linha vai operar parcialmente até depois dos Jogos.

O que as autoridades parecem não querer bobear é a respeito da segurança. O destacamento de 85 mil homens, mais do que o dobro de Londres 2012, é para deter o tipo de violência urbana que é comum no Rio, uma caótica metrópole de 12 milhões de habitantes.

Nos bastidores, as forças de inteligência brasileiras estão coordenadas com seus equivalentes no exterior e avaliam reais ameaças de terrorismo nos Jogos. 

Na última semana, após uma dica do FBI norte-americano, a polícia prendeu 11 brasileiros que, de acordo com os investigadores, eram simpáticos ao Estado Islâmico e haviam discutido a possibildade de realizar ataques durante a Olimpíada.

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