Turquia detém 42 jornalistas em repressão contra tentativa de golpe e Europa soa alerta

Por Seda Sezer e Daren Butler

ISTAMBUL (Reuters) - A Turquia ordenou a detenção de 42 jornalistas nesta segunda-feira, de acordo com a emissora NTV, em meio a um processo de repressão após um fracassado golpe que tem como alvo mais de 60 mil pessoas, o que gerou críticas da União Europeia.

As prisões ou suspensões de soldados, policiais, juízes e servidores públicos, em resposta à tentativa de golpe em 15 de julho, levantou preocupações entre grupos de direitos e países ocidentais, que temem que o presidente Tayyip Erdogan esteja capitalizando para aumentar seu poder.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, colocou em dúvida a antiga aspiração da Turquia de se unir à União Europeia.

“Eu acredito que a Turquia, em seu atual estado, não esteja em posição de se tornar um membro em nenhum momento em breve, nem mesmo em um período mais longo”, disse Juncker ao canal francês France 2.

Ele também disse que se a Turquia reintroduzir a pena de morte --algo que o governo disse que deve considerar, respondendo a pedidos de seus apoiadores em manifestações públicas para que os líderes do golpe sejam executados-- isso deve paralisar imediatamente o processo de ascensão da Turquia à UE.

A Turquia aboliu a pena capital em 2004, permitindo a abertura de conversas para se juntar à UE no ano seguinte, mas as negociações tiveram lento progresso desde então. 

Respondendo aos comentários de Juncker, o ministro de Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, disse ao canal Haberturk que a Europa não pode ameaçar a Turquia em relação à pena de morte. 

Erdogan declarou estado de emergência no país, o que o permite assinar novas leis antes de aprovação parlamentar e limitar os direitos que julgar necessários. O governo reiterou que essas medidas são necessárias para identificar apoiadores do golpe e que não vão infringir os direitos de turcos comuns. 

A NTV relatou que entre os 42 jornalistas sujeitos a mandados de prisão estava o conhecido comentarista e ex-parlamentar Nazli Ilicak.

Erdogan acusa o clérigo Fethullah Gulen, que mora nos EUA e tem muitos apoiadores na Turquia, de arquitetar a tentativa de golpe. Em seu primeiro decreto após o estado de emergência ser declarado, Erdogan ordenou o fechamento de milhares de escolas particulares, entidades de caridade e fundações com supostas ligações com Gulen, o qual nega envolvimento no golpe.

(Reportagem adicional de Humeyra Pamuk em Istanbul; Ece Toksabay em Ancara e Geert De Clercq em Paris)

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