Competições de vela na Baía de Guanabara podem chamar atenção para o esporte

Por Jeb Blount

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os organizadores da Olimpíada do Rio de Janeiro queriam colocar a vela, um esporte frequentemente confinado a locais de competição em portos distantes da cidade-sede, no centro dos Jogos.

Eles foram bem-sucedidos em muitos aspectos, mas nem tanto. As preocupações com as águas poluídas pelo esgoto e os detritos flutuantes, uma verdadeira ameaça às provas, ofuscaram o cenário deslumbrante da regata olímpica. As raias estão entre as primeiras em uma Olimpíada que irão possibilitar que grandes plateias assistam às disputas diretamente de arquibancadas instaladas nas vizinhanças, de edifícios nas imediações e de morros.

"A questão da água eclipsou o fato de que o Rio é um lugar fantástico para se velejar e um local que irá testar os velejadores", disse Josh Adams, diretor-administrativo da equipe de vela dos Estados Unidos em Litchfield, no Estado de Connecticut. "O Rio de Janeiro proporciona um anfiteatro natural para o esporte de vela."

Apesar das condições da água, muitos velejadores já estão considerando a mistura de ventos, ondas e correntezas que irão enfrentar entre 8 e 19 de agosto em três trajetos dentro e duas fora da Baía da Guanabara como a mais desafiadora e competitiva já vista em uma Olimpíada.

Nas regatas de teste do ano passado, alguns velejadores conseguiram dominar suas classes, enquanto especialistas em ventos leves foram obrigados a velejar em raias de vento forte e vice-versa.

"No nível olímpico do esporte você tem que ser forte em uma variedade de condições, e o Rio será o teste definitivo disso", afirmou Adams. "Vimos uma variedade de velocidades de vento durante o inverno brasileiro. Será um desafio tático."

A regata contará com 10 classes, cinco masculinas, cinco femininas e um grupo misto.

Cada classe irá competir em 10 ou 12 provas, mais uma corrida por medalha. Esta última será disputada pelos 10 melhores colocados na primeira rodada.

Os organizadores vêm dizendo que a escassez de chuva sazonal durante o inverno no Rio irá evitar que a maior parte do esgoto que polui as águas locais escoe na Guanabara.

Também estão sendo feitos esforços para reduzir a quantidade de objetos plásticos, lixo e outros detritos flutuantes que podem danificar ou desacelerar os barcos, o que impediria competições justas.

"A água não é ideal, mas é tarde demais para se preocupar", disse Erik Heil, velejador da classe 49er da equipe olímpica alemã que foi tratado por causa de uma bactéria na Alemanha no ano passado depois de velejar na capital fluminense.

"Praticamente todo o resto é fantástico, e estou empolgado porque a vela irá estar no centro de tudo."

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