Tsunami de doping no atletismo deixa principal esporte olímpico à beira do abismo

Por Mitch Phillips

LONDRES (Reuters) - Um ano de polêmicas, corrupção, acobertamento, suspensões, apelações e doping, doping, doping mancharam o coração e a alma do atletismo, o esporte que muitas vezes é considerado o coração e a alma das Olimpíadas.

Não há uma nuvem de doping sobre a modalidade nos Jogos do Rio, mas sim uma densa e suja névoa que encobre todos os cantos e deixou o esporte à beira do abismo.

O velocista jamaicano Usain Bolt provavelmente vai fazer o mundo parar quando tentar novamente o ouro nas provas de velocidade, e o britânico Mo Farah será amplamente saudado caso domine as provas de distância, ao passo que a neozelandesa Valerie Adams tentará assegurar seu status como a maior a atleta feminina de arremesso de peso de todos os tempos.

Mas essas performances, e todas as outras durante 10 dias no Rio, serão vistas através do prisma do doping, com a ausência de atletas russos representando uma lembrança diária da maldição que recai sobre esta modalidade esportiva.

Não é que todos pensem que Bolt, Farah e Adams tenham sido beneficiados pelo uso de drogas. É potencialmente pior — as pessoas já nem se importam mais.

Um ano atrás Bolt foi saudado como o salvador do atletismo após superar Justin Gatlin, duas vezes condenado por doping, na final dos 100m no campeonato mundial.

Se os músculos de Bolt aguentarem, ele então tem uma grande chance de melhorar ainda mais sua posição como uma “lenda” do esporte, caso vença novamente as duas provas de velocidade e ajude a Jamaica a conquistar uma terceira medalha de ouro consecutiva no revezamento 4x100 metros. 

Ele fez de tudo em sua corrida final em Londres na semana passada para indicar que está em forma — e agora só precisa redescobrir o impulso que o levou a brilhar nos últimos oito anos.

Gatlin estará presente no Rio, ainda reclamando sobre suas condenações por doping, ainda sendo pago uma fortuna por patrocinadores e ainda sendo treinado por outro condenado por doping, Dennis Mitchell. Sendo os EUA um dos principais países a pedir pela proibição de atletas russos, isso representa uma postura ambígua com o esporte limpo.

Dezenas de corredores, saltadores e arremessadores competirão no Rio em busca da saudação da multidão, da glória da medalha e das recompensas financeiras da vitória, mesmo já tendo sido punidos por trapacear.

Por outro lado, dezenas de outros que nunca foram condenados de uma ofensa estarão ausentes devido à proibição da participação de atletas russos.

Muitos outros países de forte tradição no atletismo, particularmente o Quênia, estarão presentes no Rio tendo nas costas um grande número de positivos de doping e com seus controles antidoping rotineiramente criticados como inadequados. 

A maratona masculina encerrará a programação do atletismo em 21 de agosto, mas essa certamente não será a cortina final.

Se os campeonatos anteriores servem de referência, as desqualificações por doping retroativo de eventos de arremesso devem começar quase imediatamente, ao passo que novas ofensas podem vir à tona para um público já desiludido até 2024 e além.

A grande questão do atletismo é se alguém vai estar por perto para notar tudo isso.

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