Preço e dívida alta ameaçam minar leilão de privatização da Celg-D, da Eletrobras

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Investidores que demonstraram interesse em participar do leilão de privatização da distribuidora de energia elétrica goiana Celg-D, controlada pela Eletrobras, têm se queixado do preço elevado e das altas dívidas da companhia, que segundo eles podem esvaziar a disputa agendada para 19 de agosto.

A licitação da elétrica, considerada a mais atrativa entre as sete distribuidoras da Eletrobras, também deverá testar o interesse do mercado por esses ativos, após a estatal decidir no mês passado que vai vender todas suas subsidiárias de distribuição até o final de 2017.

O processo de venda da Celg-D teve início ainda no governo da presidente afastada Dilma Rousseff, quando foi definido o valor mínimo de 2,8 bilhões de reais pela empresa, que chega a cerca de 5,2 bilhões de reais se consideradas dívidas a serem assumidas pelo comprador.

Mas embora as primeiras medidas do governo interino de Michel Temer tenham animado os investidores em energia, os responsáveis pela venda da Celg-D têm ouvido queixas sobre o valor pedido naquela que será a primeira privatização em distribuição de energia no país desde os anos 2000.

"Tem interessados, mas o que está havendo é que estão falando que o preço está caro. Agora, não sei dizer se isso é estratégia de comprador, que chora, chora, chora, vai lá e faz proposta", disse à Reuters uma fonte próxima ao processo de venda da companhia.

Segundo a fonte, que falou sob a condição de anonimato, a licitação poderá ser realizada novamente se não houver propostas.

"Não tem uma decisão ainda, mas (o leilão) pode ser feito de novo sem problema nenhum, não tem limitação. Mas em tese essa é a joia da coroa, a melhor de todas elas, vamos ver como o mercado se posiciona", disse.

A diretora da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini, avalia que as condições desafiadoras do negócio e o cenário de crédito restrito e caro no Brasil vão limitar uma eventual disputa e beneficiar eventuais estrangeiros interessados.

"Realmente está bem caro. O ideal seria revisar esse valor para atrair mais investidores... o preço afugenta, quem está pensando duas vezes antes de olhar, não vai olhar. Tem que estar com muita vontade... existe chance de ninguém ofertar, não surpreenderia", afirmou.

Além disso, o mercado está de olho em outros negócios em distribuição --a mineira Cemig já admitiu que busca um sócio para sua controlada Light, enquanto a italiana Enel e a brasileira CPFL estão de olho em uma eventual venda da Eletropaulo pela norte-americana AES.

EXPECTATIVA POR CHINESES

Diante desse cenário, há uma expectativa de que o interesse da chinesa State Grid possa salvar o leilão, dado o imenso fôlego demonstrado pela companhia para investimentos no país.

Os orientais chegaram a comentar publicamente que avaliariam a Celg-D, mas deram o primeiro passo para entrar em distribuição do Brasil com um pré-acordo para comprar a fatia da Camargo Corrêa na elétrica CPFL, que possui cerca de 14 por cento do mercado do segmento no Brasil.

O negócio com a CPFL poderá envolver até 25 bilhões de reais caso todos acionistas da companhia decidam vender suas participações.

"Eles têm muita grana, têm muito apetite na área de infraestrutura e já estão muito bem posicionados... realmente os chineses podem ser grandes candidatos a participar", afirmou o consultor da FGV Energia, Paulo Cunha.

Questionada pela Reuters, a State Grid disse ainda não ter informações sobre eventual participação no certame da Celg-D.

DE FORA?

Na últimas semana, os presidentes das holdings elétricas CPFL e Energisa afirmaram que não vão avaliar participação no leilão da Celg-D nas atuais condições, principalmente devido ao preço elevado da transação.

Outra possível interessada, a Neoenergia [GNAN3B.SO], também vai passar em branco por preocupações com o preço mínimo da licitação e a dívida da elétrica goiana, afirmou uma fonte na empresa. "Para as outras (distribuidoras da Eletrobras que serão vendidas) talvez, mas para essa aí não vamos entrar, não", disse.

Além dessas, a norte-americana AES e a Equatorial Energia também foram a uma reunião sobre a venda da Celg-D no início do ano. Questionada, a AES afirmou que "conforme já divulgado... não tem interesse em participar do processo". A Equatorial não comentou imediatamente.

Outra empresa de olho em ativos no Brasil, a italiana Enel, disse que busca oportunidades no país, mas não quis comentar transações específicas.

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