Agroconsult projeta aumento de 1,5% no plantio de soja no país

SÃO PAULO (Reuters) - O plantio de soja no Brasil na temporada 2016/17, que começa nos próximos meses, deverá subir apenas 1,5 por cento ante a safra anterior, para 33,7 milhões de hectares, estimou nesta segunda-feira a consultoria Agroconsult.

A projeção da consultoria aponta um percentual inferior ao levantado em uma pesquisa da Reuters, que indicou que o plantio da oleaginosa crescerá 2 por cento, no seu menor ritmo em uma década, com alguns produtores apostando no milho no verão e com crédito mais caro limitando investimentos.

Já a área de milho deverá crescer para 3,4 milhões de hectares no centro-sul do país no verão de 2016/17, ante 3,2 milhões de hectares no período anterior, afirmou a jornalistas o diretor da Agroconsult, André Pessôa, durante evento em São Paulo.

"No Sul, a área adicional de milho virá principalmente de áreas de soja", disse o analista.

A área da chamada "safrinha" 2016/17 de milho ficará em 11,7 milhões de hectares, ante 10,8 milhões de toneladas em 2015/16, complementou.

"A expansão de plantio de milho será estimulada pelo preço elevado e pelos custos de produção, que caíram", explicou Pessôa.

IMPORTAÇÕES DE MILHO

O Brasil deverá importar 1,5 milhão de toneladas de milho no ano comercial entre fevereiro de 2016 e janeiro de 2017, sendo que 800 mil toneladas já foram desembarcadas ou aparecem nas escalas de navios até o fim de agosto, projetou o consultor.

Anteriormente, a consultoria chegou a prever importações de cerca de 2,5 milhões de toneladas em 2016. A mudança na projeção ocorre com parte das exportações contratadas anterioremente sendo redirecionada ao mercado interno, com preços mais interessantes.

Segundo ele, a maior parte dos volumes importados virá, como é habitual, da Argentina e do Paraguai.

As importações dos Estados Unidos, que estão na mira do governo brasileiro e de indústrias de aves e suínos, ainda serão pouco relevantes --o governo ainda busca a aprovação de variedades transgênicas dos EUA para dar mais segurança aos importadores.

Até meados de 2017, a oferta de milho no mercado interno continuará apertada, após uma segunda safra prejudicada pelo clima em 2015/16 e uma colheita de verão em 2016/17 que será insuficiente para atender toda a demanda, avaliou.

Segundo Pessôa, o mercado brasileiro de milho está sendo balizado atualmente pela paridade com a importação, o que aponta um desequilíbrio no setor.

"Vai ser assim até a próxima 'safrinha', quando o mercado vai voltar a ser regulado pela paridade de exportação", projetou. "A safra de verão não será capaz de regular o mercado."

O Brasil é um dos maiores exportadores globais de milho, mas os negócios agora estão lentos de maneira geral, com comerciantes redirecionando vendas para o mercado interno.

(Por Gustavo Bonato)

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