Polícia desmonta esquema de venda ilegal de ingressos na Rio 2016

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou operação para desarticular uma quadrilha internacional de cambistas que vendia ingressos ilegais para os Jogos Rio 2016, que resultou na apreensão de mais de mil entradas e na prisão de dois suspeitos, informou nesta segunda-feira a polícia.

As investigações da polícia apontam que o grupo pretendia arrecadar até 10 milhões de reais com a venda de ingressos irregulares na Rio 2016.

O Núcleo de Apoio a Grandes Eventos (Nage) da Polícia Civil prendeu na sexta-feira Kevin James Mallon, um dos diretores da empresa inglesa THG, e Barbara Carnieri, funcionária da empresa que foi contratada há três meses para trabalhar como intérprete.

A THG já teve o então diretor-executivo, James Sinton, preso no esquema da "máfia dos ingressos" da Copa do Mundo de 2014, que vendia bilhetes por preços mais altos.

"No momento da prisão, Kevin estava com ingressos falsos e foi conduzido à delegacia. Ele foi autuado pelos crimes de associação criminosa, marketing por emboscada e facilitação de cambismo", informou a Polícia Civil em comunicado.

Bárbara foi autuada pelo crime de marketing por emboscada, estratégia que consiste em tirar proveito publicitário de eventos.

Segundo o Comitê Rio 2016, a demanda por ingressos para os Jogos está em 82 por cento, uma taxa inferior à de Londres 2012, apesar de estarem sendo vendidos quase pela metade do preço.

O Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou que as autoridades de segurança estão investigando se há outros envolvidos nessa quadrilha internacional.

“Estamos trabalhando”, disse ele ao ser questionado na sede da PF.

O ministro, no entanto, minimizou a prisão da quadrilha internacional ao afirmar que cambismo em grandes eventos esportivos é um problema mundial.

“Isso não ocorre só nas Olimpíadas do Brasil. Às vezes a gente acaba perdendo o paradigma olímpico, em outros locais, não só nas Olimpíadas, mas também em Copas do Mundo, sempre tivemos problema com máfia de cambistas e ingressos”, afirmou.

Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a quadrilha descoberta agora seria maior que aquele da Copa do Mundo de 2014, e a expectativa seria arrecadar mais de 10 milhões de reais nos Jogos de 2016.

Um ingresso para a cerimônia de abertura chegou a ser negociado a 8 mil dólares, ou seja, cerca de 25 mil reais. A polícia do Rio de Janeiro foi até a hotel onde estavam os representantes da THG para efetuar a prisão dos suspeitos.

“Com esses ingressos, essa empresa conseguiria lucros de até 10 milhões de reais. Eram ingressos muito qualificados, principalmente para as cerimônias de abertura e encerramento”, disse a jornalistas o delegado Ricardo Barbosa.

O delegado revelou que a quadrilha prometia aos compradores locais privilegiados no Maracanã e em arenas esportivas e também um jantar de gala, em hotéis 5 estrelas para agradar e recepcionar os compradores.

“O irlandês disse que o único local onde eles não conseguem ter lucro foi no Rio de Janeiro. Eles disseram que fazem isso no mundo todo”, disse o delegado Ronaldo Oliveira

Paralelamente, um grupo de 10 integrantes de uma quadrilha local de venda de ingressos foi desbaratado pela polícia fluminense nas útlimas horas.

O serviço de inteligência da Polícia Civil já vinha monitorando o grupo que viria de São Paulo e que clonava cartões de crédito para comprar bilhetes da Rio 2016 e revendê-los a preços mais baratos. O bando chegou a tentar vender um ingresso desses a um delegado que estava à paisana no Maracanã, no dia da abertura dos Jogos.

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