Brasil precisa dar salto para atingir meta de medalhas após decepções na largada

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O fracasso do judô em alcançar a meta de pódios, o desempenho morno da natação que pela primeira vez deve passar em branco numa Olimpíada desde 2004 e a não concretização de esperadas vitórias inéditas em esportes como tênis e tiro com arco deixaram o Brasil em baixa na primeira semana da Rio 2016 e sob risco de não conseguir cumprir o objetivo estabelecido para os Jogos em casa.

Desde que conquistou um recorde de pódios em Londres 2012 com 17 medalhas (3 de ouro, 5 de prata e 9 de bronze), o Time Brasil tem como objetivo aumentar esse número na Rio 2016 para ficar pela primeira vez entre os 10 primeiros colocados no total de medalhas de uma Olimpíada.

No entanto, com apenas quatro pódios na primeira semana (1 ouro, 1 prata e 2 bronzes), o Brasil vai precisar de um grande salto no número de medalhas na segunda semana da Olimpíada para atingir a meta do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Em Londres, por exemplo, a Itália terminou em 10º lugar com 28 pódios.

A maior frustração do Brasil nos primeiros dias de Olimpíada veio do judô, modalidade em que o país mais subiu ao pódio em Jogos Olímpicos, mas que justamente em casa não conseguiu alcançar a meta de superar as quatro medalhas de Londres.

A campeã em 2012 Sarah Menezes, a três vezes medalhista em mundiais Érica Miranda e os também medalhistas olímpicos Tiago Camilo e Felipe Kitadai eram nomes cotados para o pódio que não se concretizaram, e a modalidade encerrou sua participação com três medalhas (1 ouro e 2 bronzes).

"A gente poderia ter contribuído com mais medalhas, tínhamos potencial para isso, mas se chegou onde foi possível chegar", reconheceu o gestor de alto rendimento da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Ney Wilson.

A expectativa da natação era bem menor, especialmente após a não classificação do campeão olímpico Cesar Cielo, mas ninguém esperava que os nadadores do país saíssem de mãos abanando da piscina olímpica do Rio.

As principais esperanças eram Thiago Pereira, prata em Londres nos 400m medley, e Bruno Fratus, mas ambos não conseguiram sequer repetir os melhores tempos de suas carreiras nos 200m medley e 50m livre, respectivamente, e terminaram fora do pódio.

Neste sábado o Brasil ainda disputará as finais do 4x100m medley masculino e dos 50m livre feminino, mas sem expectativa de medalha. Desde Atenas 2004 o Brasil não ficava sem chegar ao pódio numa Olimpíada.

Além das modalidades em que tradicionalmente consegue medalhas, o Brasil também estabeleceu como meta conseguir pódios inéditos em modalidades como canoagem, tênis e tiro com arco, o que também ainda não se concretizou.

Todos os tenistas brasileiros, inclusive os favoritos nas duplas Marcelo Melo e Bruno Soares, foram eliminados, assim como Marcus D'Almeida, jovem de 18 anos do tiro com arco que carregava uma grande expectativa.

Mas houve uma surpresa positiva logo na primeira medalha do Brasil, com o atirador Felipe Wu, que conquistou uma prata, e outras ainda podem vir, com o canoísta Isaquias Queiroz, o time de polo aquático masculino e na prova de maratona aquática nas águas de Copacabana.

Além disso o Brasil, também segue firme em esportes coletivos, com destaque para as quatro duplas de vôlei de praia ainda vivas na competição e as seleções femininas e masculinas de vôlei, handebol e futebol, sem falar na vela, segundo esporte com mais pódios na história dos Jogos, e no boxe, que já garantiu ao menos um bronze e tem outros concorrentes.

"Temos chance de conseguir a meta, mas se ela não vier, a gente não vai ficar triste, mas temos que analisar o esporte para muito além do quadro de medalhas”, disse esta semana o secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Luiz Lima.

(Reportagem adicional de Tatiana Ramil e Rodrigo Viga Gaier)

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