Hong Kong não condena à prisão líderes estudantis de protestos democráticos de 2014

Por Venus Wu e Hera Poon

HONG KONG (Reuters) - Três líderes estudantis de Hong Kong que ajudaram a orquestrar grandes protestos de rua pró-democracia no polo financeiro em 2014 foram poupados nesta segunda-feira de cumprir penas na prisão, mas serão obrigados a realizar serviços comunitários.

O ativista Joshua Wong, de 19 anos, terá que cumprir 80 horas de serviços comunitários por reunião ilegal, já que ele e outros invadiram uma área cercada diante da sede do governo chamada "Praça Cívica" para realizar a ocupação em setembro de 2014.

O ato criou um impasse com a polícia que durou toda a noite e foi visto como um catalisador fundamental do "Movimento Guarda-Chuva", que bloqueou ruas importantes da cidade governada pela China durante 79 dias exigindo democracia plena e representou um dos maiores desafios políticos em décadas para os líderes do Partido Comunista Chinês.

Dois outros líderes estudantis também foram condenados. Alex Chow, de 25 anos, recebeu uma pena de prisão de três semanas, mas obteve uma suspensão temporária devido a uma graduação no Reino Unido.

Nathan Law, de 23 anos, considerado culpado da acusação mais séria de incitar outros a realizem assembleias ilegais, terá que cumprir 120 horas de serviços comunitários.

"O tribunal acredita que os três réus estão expressando suas opiniões e demandas genuinamente devido às suas crenças políticas ou sua preocupação com a sociedade", disse a juíza distrital June Cheung. "Seu objetivo e motivo não é de seu próprio interesse ou para ferir outras pessoas."

Hong Kong, uma ex-colônia britânica, foi devolvida à China em 1997 mediante um acordo que deu o controle definitivo a Pequim, mas com a promessa de conceder ao território um alto grau de autonomia.

Mas a recusa de Pequim de conceder uma democracia plena vem exacerbando tensões recentes, e os clamores por separação da China vêm crescendo.  

Falando do lado de fora da corte e ao lado de cartazes pedindo "democracia e autodeterminação", Chow disse que o comunicado da juíza trouxe um "alerta em boa hora" para as autoridades em um momento no qual mais pessoas vêm se mobilizando pela independência da China.

"As autoridades deveriam refletir por que tantas pessoas estão cogitando estas opções. Qual é a motivação, a posição e as razões por trás delas?".

Uma eleição legislativa próxima que será disputada por Law e outros ativistas jovens que querem entrar na cena política pela primeira vez deve expor ainda mais as tensões na cidade de 7,2 milhões de habitantes.

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