Brasil chama embaixador uruguaio após declaração de chanceler sobre Mercosul

Por Alonso Soto e Matias Larramendi

BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou o embaixador uruguaio nesta terça-feira para dar explicações sobre comentário do chanceler do país, Rodolfo Nin Novoa, que acusou o Brasil de tentar "comprar" seu voto para impedir que a Venezuela assuma a presidência rotativa do Mercosul.

Em comentários feitos a parlamentares na semana passada e que se tornaram públicos nesta terça-feira, o ministro de Relações Exteriores uruguaio disse que seu governo estava "bravo" com a tentativa brasileira de impedir que Caracas lidere o bloco regional, que também inclui Argentina e Paraguai.

"Não gostamos muito que o chanceler Serra tenha vindo ao Uruguai para nos dizer -e o tornou público, por isso o digo- que vinha com a pretensão de que se suspenda a transmissão e que, além disso, se fosse suspensa, nos levariam em suas negociações com outros países, como querendo comprar o voto do Uruguai", disse Nin Novoa.

O Ministério de Relações Exteriores brasileiro convocou o embaixador do Uruguai em Brasília, Carlos Amorin Tenconi, para explicar os comentários de Nin Novoa.

Segundo nota divulgada pelo Itamaraty, o governo brasileiro recebeu "com profundo descontentamento e surpresa" as declarações do chanceler uruguaio.

A disputa pela liderança do grupo aumentou as tensões e abriu fraturas ideológicas em uma região que está lutando com uma queda nos preços das commodities e confusões políticos.

Desde que o presidente Dilma Rousseff foi afastada em maio, o presidente interino Michel Temer se afastou dos aliados esquerdista, como a Venezuela, e se aproximou de aliados tradicionais dos Estados Unidos e Europa.

A Venezuela deveria assumir a presidência rotativa do bloco por seis meses, mas o Brasil afirma que o país não cumpriu os requisitos para se tornar um membro de pleno do Mercosul.

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